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Tempo de dialogar e cooperar

O Brasil está encerrando o quarto – e, esperamos, o último – ano de um ciclo de crise que eclodiu em 2015 e vergastou praticamente todos os setores da economia. Havia uma forte expectativa que 2018 experimentaria uma lenta e gradual retomada do crescimento, mas isso não se confirmou e o ano se encerra repleto de dificuldades. Locomotivas do desenvolvimento, o agronegócio em geral e a agroindústria em particular suportaram mais uma fase de dificuldades.

De um lado, a elevação dos custos dos insumos e de praticamente todos os fatores de produção reduziu ou anulou as margens de resultados. De outro lado, o desemprego e a queda na renda da população mantiveram baixos os níveis de consumo e impediram um bom desempenho da economia. Acreditamos, contudo, que esse quadro melhora exponencialmente em 2019.

O otimismo está relacionado, obviamente, à eleição do novo presidente e sua moderna, corajosa e urgente agenda de reformas para colocar o País nos trilhos. Esse é o fenômeno extraordinário da Democracia: cada nova eleição é sempre uma possibilidade de evolução, mudanças, transformações e crescimento. Os compromissos assumidos pelo novo presidente e as diretrizes do plano econômico da nova Administração Federal já estão restituindo a confiança dos investidores e demais agentes econômicos. Surgem sinais animadores e manifestações de interesse por grandes investimentos privados e públicos, que impactarão na redução acentuada do desemprego e na consequente volta do consumo.

Um clima de cooperação e boa vontade se instala entre os setores produtivos e a nova Administração. O agronegócio está pronto para colaborar com o governo eleito, contribuindo para o Brasil entrar em uma rota de crescimento sustentado, capaz de gerar emprego e renda para sua população. Mas é preciso ter clareza da dimensão dos desafios que aguardam os novos gestores. Na busca desse objetivo, será imperiosa e fundamental a aprovação das reformas. Fundamental será a aprovação de um projeto de reforma da Previdência com a maior urgência possível. Quanto mais o tempo passa, mais se agrava o buraco negro do déficit previdenciário. Igualmente essencial será criar condições de diálogo e entendimento para viabilizar a reforma tributária, o ajuste fiscal, a queda de juros, a redução da burocracia e a melhoria do ambiente de negócios para estimular novos investimentos.

Os excessos da campanha eleitoral – a maioria deles ditados pelas paixões ideológicas – devem ficar no passado para dar lugar a uma fase de subordinação dos interesses pessoais e partidários aos superiores interesses da Nação. Detentor de capital político lastreado em mais de 57 milhões de votos, o presidente Jair Bolsonaro tem independência para organizar a administração federal como julgar mais eficiente e, também, tem autoridade para propor todas as reformas necessárias para enfrentar os desafios dos novos tempos.

José Zeferino Pedrozo

Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc)