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Avanço das fintechs: ameaça ou oportunidade para o cooperativismo financeiro?

Através da resolução nº 4.656, de 26 de abril de 2018, o Conselho Monetário Nacional (CMN), disciplinou a realização de operações de empréstimo e de financiamento entre pessoas, por meio de empresas com base em plataformas eletrônicas. Essa resolução ficou conhecida como a “Resolução das fintechs”.

A regulamentação abriu caminho para que as fintechs possam atuar sem estarem vinculadas a uma instituição financeira convencional.

O objetivo do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Banco Central do Brasil (BCB), é de que a expansão dessas empresas aumente a concorrência no Sistema Financeiro Nacional (SFN), baixando os custos para a população, além de promover a chamada “inclusão financeira”.

Mas o que é uma fintech?

O termo fintech é o resultado da união entre as palavras “finanças e tecnologia” (em inglês, financial e technology).

O termo fintech passou a denominar o segmento de startups que criam inovações na área de serviços financeiros, com processos baseados em tecnologia.

Essas startups de tecnologia financeira criam novos modelos de negócio, oferecendo produtos e serviços financeiros, como conta corrente, cartão de crédito e débito, empréstimos pessoais e empresariais, pagamentos, transferências, investimentos, seguros, entre outros.

Com o uso intensivo de tecnologia, as fintechs estão criando uma nova forma de se lidar com os produtos e serviços financeiros e bancários.

Ameaça ou oportunidade?

No caso específico das cooperativas financeiras, uma das estratégias que vem sendo utilizada é a criação de aplicativos para associação, abertura e movimentação de conta corrente online, e a disponibilização de diversos produtos e serviços de forma digital.

Há também casos de parcerias entre cooperativas financeiras e fintechs, numa relação de união e de cooperação.

Existem correntes de pensamento no meio cooperativista, que defendem a visão de que em um mundo que se será totalmente digital, tecnológico, as pessoas irão sentir falta do contato humano, da interação presencial, de se sentirem “mais gente”, e “menos máquina”.

Nessa linha de pensamento, o grande diferencial do cooperativismo continuará sendo a sua essência, seus valores e princípios.

A ideia é de que em um mundo onde todos serão “iguais”, as cooperativas sejam e façam a diferença, justamente por serem “diferentes” do que prega o senso comum.

Nesse caso “pensar fora da caixa”, será resgatar os valores e o contato humano, a ajuda mútua, a cooperação, o compartilhamento e a colaboração.

Outras linhas de raciocínio preveem que com a entrada das empresas chamadas “gigantes de tecnologia”, disputando mercado no setor financeiro, o cenário sofrerá drásticas mudanças. São empresas consolidadas, com grande credibilidade, marcas muito fortes, atuação em âmbito global, com alta tecnologia e grande poder econômico.

Projetando um cenário de concorrência com as “mega fintechs”, as estratégias prováveis terão que ser de união entre cooperativas financeiras singulares (1º grau), entre centrais (2º grau) e talvez até entre confederações (3º grau), entre os chamados sistemas de cooperativas.

É o desafio da intercooperação efetiva, que é a cooperação, a união de forças e de estruturas entre as cooperativas.

Para refletir... e agir!

Tendo em vista essas grandes transformações, ficam algumas reflexões sobre o assunto: será o fim das atuais e tradicionais estruturas físicas das cooperativas? No futuro teremos apenas cooperativas digitais?

Ou os dois modelos (físico e digital) vão coexistir e trabalharão de forma complementar?

Em um futuro onde tudo será tecnológico e digital, o nosso grande diferencial será a interação presencial, o contato com as pessoas?

São questões para as quais não existem repostas prontas, mas é algo que deve ser pensado, planejado.

Temos que desaprender e reaprender muitas coisas, e essencialmente, implantar ações práticas, aprender a lidar com as grandes transformações que se apresentam no horizonte das cooperativas.

Para que saibamos lidar com os grandes desafios da gestão, liderança e cooperação em tempos de mudanças.

 

Marcelo Correa Medeiros

mestre em Direção Estratégica, possui MBA em Gestão Empresarial, graduado em Administração de Empresas, Gestão de Cooperativas e Ciências Contábeis. Possui formação Professional and Self Coaching – PSC/IBC. É embaixador da paz pela UPF - Universal Peace Federation (Federação para a Paz Universal), órgão internacional ligado à ONU. Atua há mais de 26 anos no Associativismo e no Cooperativismo Financeiro, onde já exerceu as funções de sócio fundador, presidente, gerente geral, contador, inspetor, com atuação também na área de educação corporativa.