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Gestão de Riscos e a Conformidade em Cooperativas

Por definição um risco representa a probabilidade de um evento ocorrer e gerar impactos negativos nos resultados de uma organização. Assim como qualquer outra instituição, muitos são os riscos ao qual uma cooperativa está exposta, como exemplo, da visão macroeconômica, tem-se o risco financeiro de mercado como taxas de juros e mudanças no cenário político e econômico, que num país como o Brasil são variáveismuito instáveis. Ou ainda, um risco de processo, como fraudes ou ineficácia operacional. Por isso, cabe à cooperativa observar quais os riscos está exposta e qual o grau de incidência destes sobre ela e quais destes está disposta a assumir para permanecer competitiva e estar conforme aos normativos expressos no âmbito de sua atuação.

Para iniciar a gestão de riscos, de maneira geral, cabe a administração da cooperativa reconhecer que os riscos existem e mobilizar os membros para a mitigação deles. Isso evita que a organização permaneça vulnerável e migre para uma configuração proativa. Neste ponto, temos, portanto, o posicionamento. O segundo ponto é o planejamento e comunicação da politica de risco a todos de modo objetivo e consciente para apreparação e manutenção da cultura de risco por meio de treinamentos de equipes e a formação de comitês de risco. Essas são praticas importantes para a atribuição de funções entre equipes, para mapear e determinar prioridades e integrar diferentes setores na busca de padronizar ações formais para posteriormente monitorar e controlar.

Para sociedades cooperativas cabe elucidar alguns pontos que merecem destaque por representarem a própria essência do negocio cooperativo. Por ser uma sociedade sem fins lucrativos, com diferenciação tributaria sobre atos cooperativos e de gestão democrática, as cooperativas têm, portanto, incidência dos riscos de compliance, ou seja, riscos que vão desde deixar de participar de licitações até sofrer sanções por nãocumprimento de requisitos básicos que a define enquanto sociedade cooperativa. 

Esses riscos englobam, nesse sentido, a especificidade contratual, riscos de agencia e principalmente legais que dentro da estrutura de governança devem ser estrategicamente observados e cumpridos. Desde a eleição democrática dos membros, no plano de sucessão da gestão até a educação cooperativa por meio da organização do quadro social temos marcos importantes a serem trabalhados dentro da politica organizacionaltanto para preservar a cooperativa, garantir a sua credibilidade perante os sócios, sua conformidade perante órgãos fiscalizadores e consequentemente, sua continuidade.

Para exemplificar de forma mais concisa a importância da gestão de riscos, num contexto recente, o risco que tem sido observado é o da isegurança digital dado o avanço na interação das organizações com os clientes online. Nesse sentido, as cooperativas de credito ou mesmo cooperativas de plataforma na comercialização de produtos e serviços online tem sofrido incidência ao risco de invasão e vazamento deinformações internas ou mesmo de seus clientes. Por isso, a proteção e o tratamento de dados, a prevenção contra fake news e o cuidado da imagem compõe um dos focos importantes no planejamento da gestão de risco. Nesse sentido, o investimento na aquisição de um arcabouço tecnológico de segurança e de softwares e a politica de ação a ser adotada em caso de exposição da imagem representa uma das alternativas para o controle deste risco.

Pensar em risco é, portanto, adotar ações preventivas, é pensar no que afeta a continuidade do negocio e, antes de tudo, esse planejamento representa conformidade legal e preserva a confiança dos sócios perante a cooperativa, o que consequentemente garante direitos de justiça social para os quais o cooperativismo em essência surgiu.

Aíla Fialho

Bacharel em Gestão de Cooperativas pela Universidade Federal de Viçosa, MG. Analista no setor de Credito no SICOOB