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Inovador, mas com um longo caminho a percorrer

No segundo semestre de 2020, muita expectativa se criou em torno do lançamento do Pix, que chegou com a proposta de modernizar e simplificar a forma de pagar e receber do brasileiro.

A adesão foi surpreendente: mais de 133 milhões de chaves cadastradas e R$ 170 bilhões movimentados desde o seu lançamento até os 10 primeiros dias de 2021. O sucesso foi instantâneo, o Pix superou o volume financeiro do cartão de débito já no seu segundo mês de funcionamento.

Varejo

E a respeito do cartão de débito, muito se fala que o Pix deverá substituí-lo, o que parece mesmo bem plausível. Será? A resposta é um sonoro “não” se considerarmos que o cartão reina absoluto no varejo, em que o volume financeiro transacionado não diminuiu desde a chegada do Pix. Ao contrário, segue em forte expansão. No Sicoob, o Pix está tirando volumes da TED e transferências, mas não do cartão de débito.

Para justificar essa resiliência do débito, vale olhar para o aspecto da experiência do usuário: quem pode dizer que é ruim? O cartão é seguro, fácil de portar e agora vem com a tecnologia “sem contato”, que acelera o checkout e ajuda nessa pandemia, pois as pessoas não querem tocar em nada na hora de pagar.

Para avançar, não há dúvida de que o Pix terá que entregar a melhor experiência ao usuário. Além disso, no caminho até a sua popularização, ele tem o especial desafio de tornar-se amplamente aceito no varejo, a exemplo do cartão e suas mais de 11 milhões de maquininhas pelo país. Quando o usuário se sentir seguro de sair de casa só com o celular, aí sim o Pix terá se popularizado e será ameaça ao cartão de débito.

Outros desafios

Mas há outros desafios além da aceitação: Por que pagar com Pix em vez do cartão? Pelo lado do pagador, o Pix é gratuito, moderno e até divertido de usar. Do recebedor, o que se imagina é que ele vai preferir o Pix porque recebe na hora, além de ser mais barato, certo? Não é bem assim. Algumas instituições fixaram tarifas de até 1,75%, em muitos casos. Esse custo é bem superior ao débito, um verdadeiro desestímulo ao Pix.

No Sicoob, pelo menos até o dia 16 de fevereiro, será gratuito pagar ou receber com Pix. O assunto “tarifa” está sendo tratado com cuidado, pois a intenção é estimular o Pix e não o contrário.

O Pix vai sim ocupar um lugar de destaque no portfólio dos métodos de pagamentos à disposição do brasileiro, mas não parece ter o condão de eliminar os tradicionais, que coexistirão em níveis incertos de utilização. Veja pelo cheque: um verdadeiro “highlander” que, faz muito tempo, esnoba os vereditos sobre o seu fim. Ademais, quando uma instituição terá a coragem de não mais entregar um cartão de débito para um novo correntista?

O Sicoob apoia integralmente o Pix e continuará investindo no seu aprimoramento e evolução. Se é bom para a sociedade brasileira, não haveria a mínima coerência um sistema cooperativo não o apoiar. Os números legitimam essa afirmação: são mais de 1,2 milhão de chaves cadastradas e expressivos R$ 13 bilhões em transações até aqui.

Marcos Vinicius Viana Borges

diretor-executivo de Operações do Sicoob. Durante 17 anos, foi Diretor Geral da Cabal Brasil e, em 2017, assumiu a diretoria de Meios de Pagamento do Sicoob