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Professores lideram cooperativa educacional no Oeste de SC

19/06/2017

Uma escola onde pais e professores decidem em conjunto o melhor método de ensino, quais atividades extracurriculares mais adequadas ao perfil dos alunos e qual a estrutura necessária para um ensino de qualidade. São princípios como esses que guiam as cooperativas educacionais, um segmento que cresce a cada ano no Brasil. Em Concórdia, no oeste do estado, a Cooperativa Educacional Magna, mais conhecida como Colégio CEM, é um exemplo disso. Fundada em 1997, a instituição, que atende alunos da educação infantil ao ensino médio, tem cerca de 400 crianças e adolescentes matriculados.

“A cooperativa surgiu da necessidade de um grupo de professores. Desligados de outra instituição, eles buscaram uma alternativa para continuar oferecendo o serviço para pais e alunos, foi aí que surgiu a ideia de criar uma cooperativa. Hoje, são 32 professores cooperados”, revela Elizeth Alves Pelegrini, presidente da cooperativa educacional. Segundo Elizeth o Colégio pretende se tornar uma referência regional na área e, entre os planos, está oferta de cursos de graduação e especialização a partir de 2018.

Um dos principais diferenciais do Colégio CEM é a preocupação com a formação de cidadãos analíticos e críticos. Para isso, o educandário aposta no modelo de educação cooperativista. “O nosso modelo educacional prima pela valorização da pessoa, respeitando as diferenças e incentivando as potencialidades dos alunos. Além disso, baseamos nosso ensino em valores comuns ao cooperativismo como a honestidade, a transparência e a solidariedade”, afirma.

Como uma forma de incentivar esses valores, o colégio implantou um projeto inovador: a minicidade cooperativista. A ideia é proporcionar que as crianças vivenciem experiências reais de cidadania e vida comunitária. Os próprios alunos são os responsáveis pela condução dos rumos dessa pequena comunidade. “Queremos proporcionar vivências aos nossos alunos, que eles possam colocar em prática o que aprendem em sala de aula e levar isso para a vida”, explica a presidente da cooperativa.

O projeto

Através de uma eleição, que envolve toda a escola, são eleitos o prefeito, o vice e os vereadores. Os pequenos cidadãos elaboram projetos e executam ações importantes para a manutenção e o desenvolvimento da minicidade. Todas as atividades estão alinhadas com a filosofia cooperativista e permitem que os alunos aprendam (na prática) como funciona uma cidade e quais os princípios que devem norteá-la. O projeto possibilita que os alunos conheçam os setores básicos para o funcionamento de uma sociedade organizada, como: prefeitura, câmara de vereadores e sistema financeiro, por exemplo.

A minicidade funciona como uma cidade normal, mas com conceitos diferenciados de cidadania. As crianças experimentam na prática importantes demonstrações de associativismo e cidadania, participam e atuam nas várias funções dentro da cidade. “Queremos fazer a diferença e estimular o aluno a pensar o que vai fazer no futuro e lidar com os desafios do dia a dia. Por isso, estamos sempre pensando em trazer inovações e tornar o ensino flexível. A cultura está em constante transformação e a educação precisa acompanhar essas mudanças”, conclui Elizeth.

Cooperativismo em SC

O cooperativismo catarinense continua em ascensão e cresceu 15% no ano passado, de acordo com a Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc). O estado tem 265 cooperativas que reúnem mais de 2 milhões de associados. Em 2016 elas faturam mais de R$ 35,5 bilhões. As cooperativas educacionais são 10 no estado.

Geralmente, esse ramo é composto por cooperativas de professores, que se organizam como autônomos para prestarem serviços. De alunos de escola agrícola que contribuem para o sustento da própria escola e até produzem excedentes para o mercado, de pais de alunos, que querem propiciar melhor educação aos filhos, administrando uma escola e contratando professores e por empresas de atividades afins.

Por Pricilla Back, Especial Do G1 SC