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Faturamento de R$ 1,4 bilhão e mais de 2,5 mil cooperados são disputados na Unimed Vitória

11/02/2019

Entre as 150 maiores e melhores empresas para trabalhar no Brasil e com um faturamento superior a de quase todos os municípios capixabas – exceto Vitória e Serra -, R$ 1,4 bilhão -, a Unimed Vitória passa por nova disputa interna. De um lado a chapa do grupo do atual presidente, Marcio de Oliveira Almeida, que está no comando há 24 anos. Do outro o grupo que conta com um dos membros da diretoria vigente, Remegildo Gava Milanez, atual diretor de mercado.

Na instituição o assunto não está autorizado a ser divulgado, segundo a própria assessoria da Unimed, mas as duas chapas contrataram agências de publicidade e de consultoria de comunicação. Todo investimento para conseguir os votos dos 2,5 mil cooperados no dia 13 de fevereiro.

De acordo com o candidato da situação ao cargo de diretor-presidente, Fernando Ronchi, a chapa “Pra frente Unimed” quer manter os avanços da cooperativa nos últimos anos. “Somos um grupo que reconhece os avanços obtidos na Unimed Vitória nos últimos anos, com uma gestão competente e segura para o cooperado, mas entendemos também que é preciso avançar. Mas avançar com segurança e responsabilidade. Por isso decidimos compor a chapa Pra Frente Unimed Vitória. Entre as nossas propostas estão a valorização dos médicos, a melhoria da remuneração e compromissos como transparência, austeridade nos gastos e ampla participação dos cooperados em nossas decisões. Hoje a Unimed Vitória está entre as três melhores do país e nós assumimos o compromisso não só de manter, mas de melhorar todos os nossos indicadores”, afirmou.

Ronchi tem o apoio não só do atual presidente, como de antecessores que fazem parte do mesmo grupo: Gerson Thomé Marino e Alexandre Ruschi. Do outro lado está a chapa Unimédicos, que conta com nomes com experiência administrativa, já que alguns deles já foram diretores de hospitais e cooperativas de especialidades médicas.

“O objetivo do nosso grupo é trazer a cooperativa para os verdadeiros donos, para quem fez e faz a força da empresa: os cooperados”, afirmou Remegildo Gava. Já Rodrigo Aboudib, que na chapa está como candidato a diretor de mercado, o momento é de mudança. “Há 24 anos estamos sendo comandados pelo mesmo grupo e está na hora da mudança. A OAB mudou, o CRM mudou, o Brasil mudou e sinto que o desejo de mudança também muito grande entre os médicos. Falta entre nós a sensação de pertencimento, por isso nosso lema é “a voz e a vez de quem realmente é importante: você cooperado””, afirmou Aboudib.

À reportagem os médicos cooperados que aceitaram falar da eleição preferiram anonimato. Uma pediatra disse que em sua avaliação há muitas coisas para mudar, sobretudo em benefício dos próprios médicos. Ela acredita que, se os movimentos das eleições no país chegar à Unimed Vitória, após 24 anos haverá renovação.

“Confesso que ainda não me decidi, mas não gosto muito da abordagem dos membros da chapa da situação. Eles são mais agressivos e nós pagamos caro para nos associarmos, mas nosso retorno não é compatível com o que investimos e quanto trabalhamos. Já a chapa de oposição não me parece muito diferente e o próprio candidato era desse grupo”, afirmou a pediatra. Já uma clínica-geral foi categórica: “estou com a atual gestão”. Ela também não quis ser identificada.

Denúncias fazem parte do processo

As eleições da Unimed Vitória são internas, e assim também a campanha. Por isso, é nas redes sociais dos grupos médicos que circulam propagandas, por meio de fotos, vídeos e informativos. Dentre eles propostas e denúncias. A mais debatida é com relação ao contrato da empresa de saúde com administradora de plano de saúde.

No ano de 2011 a Agência Nacional de Saúde criou uma normativa possibilitando que administradoras intermediassem a relação comercial entre os planos e consumidores em pessoa jurídica, como empresas e entidades de classe. Desde então a Unimed Vitória ficou contrato com a empresa Benevix, e chegou a ter contrato de exclusividade. Esse foi a grande discussão dos debates digitais ao longo da eleição na cooperativa.

“A administradora Benevix se tornou a sétima do estado em faturamento de saúde, chegando a ultrapassar R$ 100 milhões há alguns anos. Já teve a maior margem de lucro dos país, de 45% o que deve dar uns 46 milhões de reais. Ela tinha contrato de exclusividade, que nunca beneficiou o cooperado”, disse o candidato Remegildo Gava.

E acrescentou: “A Benevix teve contrato assinado em 2011 por doutor Alexandre Ruschi e doutor Luiz Carlos Paier, hoje candidato da situação a diretor. O que continha nesse contrato e a primeira coisa que saltou aos olhos é que na cláusula 7.4 dava um contrato de exclusividade, uma aberração. Uma taxa de administração abusiva de administração entre 35% e 40%, enquanto no resto do país custava entre 11 e 17% e isso beneficiou que a Benevix tivesse lucro líquido de R$133 milhões, enquanto a nossa cooperativa tivesse um faturamento de R$14 milhões. Primeira coisa que fiz, a partir de 2014 quando assumi cargo na diretoria, foi diminuir essa taxa em até dois dígitos, fomos trabalhando até chegar a quebra de exclusividade. Porém, colocamos uma multa milionária e nesse caminho descobrimos dois ex-diretores entre os proprietários da empresa. Nossa chapa quer mudar isso”.

Por meio de um vídeo, o atual diretor-presidente, garantiu que nunca houve irregularidade no contrato. “São informações mentirosas e levianas. O contrato assinado pelos doutores Alexandre Ruschi e Luiz Carlos Paier, em 2011, foi estabelecida exclusividade bilateral, necessária e eficiente para proteger a Unimed Vitória da entrada de outras operadoras de planos de saúde. Contemplava o estabelecimento de metas de venda e a possibilidade de rescisão unilateral sem qualquer ônus a qualquer uma das partes. Sendo necessária a notificação com 60 dias de antecedência. Contrato, que por sinal, sempre foi muito rentável para nossa cooperativa”.

Quanto à exclusividade do contrato, ele destacou que se deu o fim em 2016, diante de novo entendimento do Cade. “Eu mesmo propus mudança e não outro diretor, que virou especialista de divulgar inverdades. Não existe taxa de administração. A Unimed não paga nada a Benevix, ela que nos paga. Aproveito para questionar: como alguém que assinou seis dos nove contratos com a Benevix agora levanta dúvidas oportunistas?”, esclareceu.

Por meio de nota a Benevix informou que não possui no seu quadro de sócios qualquer cooperado que ocupe cargo ou função na Diretoria da Unimed Vitória. Quanto à “taxa de administração”, a Benevix esclarece que não cobra qualquer taxa da Unimed ou de qualquer outra operadora, ressaltando que todos os dados relacionados às suas receitas são públicos e estão disponíveis no site da ANS. A nota disse ainda que a empresa garante estar alinhada aos mais altos padrões de compliance, com um sistema de gestão da qualidade em acordo com as melhores práticas do mercado brasileiro e mundial.

A eleição acontecerá no dia 13 de fevereiro, no Centro de Convenções de Vitória, com a participação de 2,5 mil médicos aptos a votar. O mandato é de quatro anos.

 

Danieleh Coutinho - ES Hoje