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"Nenhuma organização se sustenta no tempo sem uma boa estrutura de governança", diz Ênio Meinen

09/10/2019

Ênio Meinen é um dos nomes mais conhecidos do Cooperativismo de Crédito do País. E não alcançou essa popularidade por acaso. Afinal, são três décadas e meia de dedicação ao fortalecimento e à busca de melhorias para o setor. Formação em Direito, as pós-graduações em Advocacia Empresarial em Ambiente Globalizado e também em Direito da Economia e da Empresa e, ainda, um MBA em Gestão Estratégica de Pessoas. Mas, ao longo dessa trajetória, também galgou cargos importantes: ocupou a vice-presidência de Políticas Corporativas da Confederação Sicredi e foi juiz do Tribunal Administrativo de Recursos Fiscais do RS (Tarf), até chegar à direção de Operações do Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob), onde está há 10 anos. Essa experiência se reflete nos livros que já publicou e nas aulas que ministra como professor convidado para cursos de pós-graduação das mais importantes universidades do País, como a USP e a FGV.

Ênio é um dos palestrantes confirmados no 2º Fórum Integrativo Confebras, que acontecerá dias 10 e 11 de outubro, no Centro de Convenções Parque Cidade Corporate, em Brasília. No primeiro dia de programação, irá falar sobre “Governança e cooperativas de capital e empréstimo e os principais atributos do líder contemporâneo”. Veja o que ele diz na entrevista concedida à Confebras.

Quais são os principais atributos do líder contemporâneo? E como isso reflete na imagem e nos resultados da Cooperativa de Crédito?

Ênio Meinen – O líder dos tempos modernos é o que reúne atributos de caráter e que também inspira o outro, exercendo influência positiva – sobretudo pela demonstração – na busca do propósito da organização e das aspirações pessoais dos liderados.

Qual o papel desses líderes e também das Cooperativas de Crédito em meio ao cenário político-econômico em que o País se encontra? Como estas instituições podem ajudar na retomada do crescimento da economia?

Ênio Meinen – Os (verdadeiros) líderes podem – e devem – dar o exemplo, acreditando e apontando os caminhos. Além disso, se agirem com honestidade, evitarem privilégios pessoais e trabalharem muito ainda poderão criar um ambiente de confiança para a edificação de dias melhores. Quanto às cooperativas financeiras, encaixam-se no modelo de organização que o mundo procura nos dias atuais. Agindo sob imperativos ético-morais e objetivando a justiça financeira e a prosperidade, elas são organizações cujo propósito se confunde com o seu próprio DNA.

Por que é importante implementar a governança corporativa em Cooperativas de Crédito? Quais efeitos e impactos ela pode gerar? E quais são os desafios dessa implementação?

Ênio Meinen – Nenhuma organização se perpetua, ou mesmo se sustenta no tempo sem uma boa estrutura de governo. De um lado, a governança assegura fidelidade aos (justos) interesses dos donos do negócio (cooperado) e, de outro, garante a boa gestão do empreendimento, incluindo a relação com o entorno. Desse conjunto resulta o equilíbrio entre os interesses individuais, os da organização propriamente dita e os dos demais públicos interessados. Com relação aos desafios, os maiores problemas na alta administração costumam residir na combinação, explosiva, das vaidades, do personalismo (visão egoística e individualista) e da síndrome da paternidade. Ou seja: os representantes formais dos cooperados teimam em olhar bem mais para os seus próprios interesses, e muito menos para os dos donos. Em pequena proporção, alcançando uma escala menor de dirigentes, vislumbra-se, ainda, um “gap” de consciência sobre os efeitos benéficos de um modelo superior de gestão.

Quais são as perspectivas e os desafios para as Cooperativas de Crédito nos próximos anos?

Ênio Meinen – As perspectivas são as melhores possíveis. Nosso modelo de negócios é empático e sempre o será enquanto respeitar a sua essência: a de promover justiça financeira – inclusão, educação, prática de preços justos, regulação virtuosa do mercado e prosperidade. Atuando com esse propósito, que representa o seu DNA conceitual, haverá de continuar crescendo nos padrões dos últimos anos e, assim, alcançar mercado relevante (algo entre 15% e 20% da indústria financeira) em horizonte de tempo não muito distante. Aliás, é tudo isso que se propõe como desafios no âmbito da Agenda BC#, voltada para o Sistema Financeiro Nacional.

O que falta para o Cooperativismo de Crédito brasileiro alcançar o mesmo status de sucesso de outros países?

Ênio Meinen – Fundamentalmente, precisamos trabalhar mais e melhor. Entre os grandes movimentos que nos desafiam, teremos de acentuar o processo de intercooperação entre os vários sistemas e cooperativas não verticalizadas (intrassetor) como forma de ampliar a escala e gerar economia de escopo. Assim, teremos mais recursos para investir em tecnologia e infraestrutura, poderemos atrair e manter os melhores profissionais, fortaleceremos as nossas estruturas patrimoniais e alcançaremos maior eficiência operacional. No somatório, seremos mais competitivos. Além disso, já que por aqui também passa o tema da governança, os dirigentes pouco comprometidos com a causa (“chuperativistas”) e aqueles que não estão dispostos a aprender o novo terão que ser substituídos. O melhor de tudo nesses desafios é que não dependemos de mais ninguém, senão de nós mesmos. Basta que tenhamos atitude e uma boa dose de ousadia.

Confebras - Assessoria de Comunicação