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Agricultores familiares têm papel-chave no combate à fome, diz centro da ONU

29/11/2019

Cerca de 200 representantes de governos, organizações não governamentais, setor privado, academia e potenciais investidores reuniram-se em São Paulo (SP) nos dias 12 e 13 de novembro, para buscar formas de fortalecer as relações entre o Brasil e o continente africano no que se refere à segurança alimentar.

Eles participaram da sétima edição do Fórum Brasil África, cujo tema deste ano foi “Segurança Alimentar: caminho para o crescimento econômico”. O evento foi organizado pelo Instituto Brasil África, em parceria com diversas organizações, incluindo o Programa Mundial de Alimentos (WFP) e o Centro de Excelência contra a Fome, que é fruto de uma parceria entre o WFP e o governo brasileiro.

Fornecer acesso à alimentação necessária para garantir uma vida ativa para as pessoas é a base do desenvolvimento. No entanto, a fome parece estar aumentando novamente após um prolongado declínio. Conflitos, secas e desastres ligados às mudanças climáticas estão entre as principais causas dessa reversão.

Nesse contexto, o evento buscou reunir governos, organizações não governamentais e setor privado para desenvolver planos efetivos que sejam economicamente viáveis, socialmente justos e ecologicamente corretos.

Enquanto a segurança alimentar tem uma essência multidimensional, o tema foi discutido sob variadas perspectivas, incluindo tecnologia, comércio e investimento, mecanização, saneamento e educação.

O diretor do Centro de Excelência contra a Fome, Daniel Balaban, participou de uma das plenárias, denominada “Alimentando o mundo: um chamado à ação”, na qual enfatizou a importância de pequenos agricultores para os sistemas alimentares e para o combate à fome.

De acordo com Balaban, é necessário encontrar formas de agricultores familiares e pequenos agricultores venderem seus produtos de forma estruturada, por meio da criação de demanda por parte de governos, que podem adquirir produtos para serem usados em escolas e hospitais.

Ele citou como um exemplo de boa prática o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) brasileiro. “Trinta por cento do orçamento federal brasileiro vai para programas de alimentação escolar, e os alimentos são comprados de pequenos produtores, que anteriormente só tinham sua própria subsistência como objetivo.”

Além disso, o diretor falou sobre a importância das relações entre Brasil e África e explicou o trabalho feito pelo Centro de Excelência contra a Fome, que já beneficiou mais de 30 países no continente africano.

Hamady Diop, chefe de cooperação técnica e de serviços de consultoria da Agência de Desenvolvimento da União Africana; Marcos Brandalise, fundador e presidente-executivo da Brazafric Group; e Demétrio Carvalho, vice-diretor da Agência Brasileira de Cooperação (ABC); também participaram do painel.

A mediadora foi Caroline Ribeiro, diretora de comunicação do Fórum Brasil África. Eles discutiram a urgente necessidade de acabar com a fome, que aumentou globalmente após anos de declínio.

ONU