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Histórias de quem mudou a vida com a Economia Solidária

13/01/2020

Para se opor à forma de trabalho mediada pela exploração e combater a expansão do desemprego, em 2004, no Brasil, foi criada a Secretaria Nacional de Economia Solidária, uma iniciativa do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com um orçamento de mais de R$ 100 milhões, foram feitos investimentos para a qualificação profissional e a formação de cooperativas, com o objetivo de criar empreendimentos a partir de uma outra forma de trabalho, solidária entre os pares e que gerasse renda com participação nos lucros.

O II Mapeamento de Economia Solidária analisou dados de todo o país, de 2009 até 2013, e identificou 19.708 empreendimentos, organizados e distribuídos entre 2.713 municípios brasileiros. A região sul do Brasil é a que abriga a maior proporção de cooperativas, com 18,4% de seus empreendimentos formalizados, o que representa 34,8% de todas as cooperativas mapeadas no país. 

No último dia 14, em Curitiba, aconteceu a II Festa da Economia Solidária, reunindo cerca de 25 empreendedores solidários, com relatos de superação e mudanças de vidas. O Brasil de Fato Paraná esteve presente no evento e conheceu algumas dessas histórias. Confira:

Alimentação saudável virou a principal fonte de renda da família

“Iniciamos em 2000, eu, meu esposo e meus filhos, a produção de sucos saudáveis como complementação da renda. Em 2007, conhecemos o Centro de Formação Urbano Rural Irmã Araújo (Cefuria), e ali tivemos a qualificação de um outro tipo de gestão, a Economia Solidária. Aprendemos um sentido diferente do trabalho, aprendemos que é possível ser dono do trabalho, sem que isso seja escravizante. O que era apenas complementação de renda, virou a principal fonte”, Luzia Nunes, do “Sucos Naturais Sabor e Saúde”.

Oportunidade para mulheres fora do mercado de trabalho

“Integro a Rede de Padarias Comunitárias de Curitiba e Região, que hoje tem 17 padarias envolvidas. A maioria foi formada por grupos de, no mínimo, cinco mulheres, algumas que estavam fora do mercado de trabalho, outras que não tinham como deixar os filhos, outras com idade avançada. Decidimos juntas como vamos trabalhar, quantas horas e como será a partilha. O que vem de renda é dividido por todas. Eu faço parte desde o ano de 2005”, Rosalba Gomes Wisnievski, da Padaria Comunitária Cecopam, no Xaxim.   

Artesanato e mais qualidade de vida para ex-desempregadas

“Junto com minha sócia, começamos nosso empreendimento solidário em 2017, após um curso chamado Coopera Rua realizado pelo Cefuria. Era um curso para pessoas em situação de rua e resolvemos participar, pois nós duas estávamos em condição de desemprego. Ela fez um curso, nesta oportunidade, de cosméticos naturais e eu de artesanato feito a partir de caixinhas de leite. Apesar da geração de renda ainda não ser suficiente para viver, o que essa forma de gestão que aprendemos trouxe foi qualidade de vida”, Tatiana Dedini, do Coletiva Arte, produção de bijuterias com caixa de leite e cosméticos naturais. 

Mochilas e tapetes de jeans: cuidado com o meio ambiente 

“Em toda minha vida aprendi a costurar e via que o jeans é um tecido muito bom e resistente. Estudando, descobri que ele demora muito para se decompor no meio ambiente. O que me fez ter a certeza que faria bons produtos e ajudaria o meio ambiente. Mais tarde, então, conheci minhas atuais parceiras deste empreendimento. Criamos uma cooperativa, em 2016, para participar dos projetos e financiamentos da Economia Solidária. A gente se organiza cada uma na sua casa, cada uma tem sua oficina e vamos nos falando pelo WhatsApp para organizar as participações em feiras”, Luzia Zacarias (na foto, com Salete Barreto e Geisa Damaris), do Cá entre nós. 




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