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Agregação de valor e geração de mão de obra no radar da agroindústria cooperativa

16/10/2020

A agroindústria cooperativa e os seus desafios e oportunidades em tempos de pandemia e pós é um tema importante dentro do movimento cooperativo, como alternativa para agregação de valor, geração de empregos e aumento de renda. Na live dessa quarta-feira (14/10), promovida pelo Sistema Ocergs, dirigentes e executivos de diferentes cadeias produtivas trouxeram o panorama de como as cooperativas estão atuando neste ano atípico, em função da pandemia global e dos reflexos da Covid-19 na economia e nos negócios.

O presidente do Sistema Ocergs, Vergilio Perius, destaca que a agroindústria é um dos fatores que mais gera mão de obra para os brasileiros, tornando-se uma alternativa viável para dirimir os reflexos negativos da Covid-19, combatendo o desemprego e a falta de renda que atinge a sociedade brasileira. “Há muitas oportunidades para a agroindústria cooperativa, de aumentar a renda, agregar valor, agregar ICMS para o Estado e, principalmente, oportunizar maior renda para os produtores rurais, gerando mais riqueza no campo”, comenta.

Para o gerente de Monitoramento do Sescoop/RS, José Máximo Daronco, um dos grandes desafios agravados pela pandemia é a segurança alimentar. Com uma estimativa de alcançar uma população mundial de 10 bilhões de pessoas até a metade do século, a preocupação em atingir o limite do sistema é cada vez maior. “As cooperativas que estão ajustadas e preparadas conseguem trabalhar e obter melhores resultados, além de agregar valor para todo o seu quadro social”, afirma.

Languiru agrega valor à matéria-prima

A Cooperativa Languiru estima alcançar o faturamento de R$ 1,8 bilhão em 2020. Segundo o presidente da Cooperativa, Dirceu Bayer, o segredo de atingir tamanha produção e faturamento se deve basicamente ao parque industrial e da diversidade de produtos. “Nós estamos sendo competitivos porque agregamos valor ao nosso produto. Nós geramos empregos, mercado e impostos aqui”, ressalta Bayer. Dentre as perspectivas e oportunidades de negócios para os próximos anos, o dirigente comenta que a Languiru estuda e já tem projeto encaminhado para trabalhar com o segmento de bovinos.

Arroz impulsiona crescimento do faturamento da Cotrisel

Apesar de o arroz ser um produto de baixa remuneração para o produtor e para a cooperativa, na Cotrisel o cenário projetado para 2020 é que o arroz represente cerca de 50 % do faturamento da Cooperativa. De acordo com o presidente da Cotrisel, José Paulo Salerno, a estimativa é de que o aumento do volume de arroz impulsione o crescimento do faturamento da Cooperativa em 15 % este ano. “Nós atingimos a maior industrialização da história da Cooperativa em termos de volume”, destaca Salerno, ao lembrar da importância da modernização das três indústrias para suprir as demandas do mercado e aumentar a escala de produção.

Inovação e intercooperação no setor vitivinícola

Com cinco cooperativas filiadas, a Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul (Fecovinho) trabalha em conjunto com o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) na difusão das cadeias produtivas e da melhoria de produtos e processos do setor vitivinícola. Segundo o diretor executivo da Fecovinho, Helio Marchioro, a modernização da gestão, qualificação em áreas estratégicas, diminuição dos custos de produção, assistência técnica, investimentos em máquinas e equipamentos, e modernização da área industrial levou às cooperativas vitivinícolas a serem atualmente aquelas que puxam a cadeia produtiva para inovação, tecnologia e agregação de valor. Das cinco cooperativas, quatro adquirem um percentual significativo de seus insumos de forma conjunta, reforçando a prática do princípio da intercooperação.

Concentradora de sucos potencializa negócios das cooperativas

Marchioro cita o projeto de criação de uma agroindústria na área de concentração de sucos que serve como uma espécie de “pulmão” para os excedentes. “Nós tínhamos cooperativas que não tinham condições objetivas e industriais de receber toda a produção. Com a concentradora nós poderemos ingressar para dentro do complexo das cooperativas, que tem em aberto ainda em torno de 25 milhões de quilos de uvas de produtores associados às cooperativas, fora a fila de produtores que tem em todas as cooperativas tentando se associar agora de quatro a cinco anos para cá”, explica. De acordo com o dirigente da Fecovinho, isso se deve ao fato de cooperativas representarem 1/4 da produção da uva e 34 % da agregação de valor da cadeia produtiva. Para ele, um dos principais entraves do setor é a alta carga tributária incidente, que chega a 53 % sobre uma garrafa de vinho no Brasil. Além disso, Marchioro ressalta que é necessário estar atento aos desdobramentos da assinatura da Comunidade Europeia com o Mercosul e que faltam incentivos de subsídios do Governo para auxílio ao setor vitivinícola no Brasil.

Investimentos no radar da Camnpal

Com 12 tipos de negócios diferentes, 17 unidades em nove municípios da região Central do RS e três indústrias, a agroindústria da Camnpal conta atualmente com 30 produtos e 64 itens comercializados, com destaque para o arroz e o feijão. “Movimentamos diariamente 500 toneladas entre matérias-primas e produtos já industrializados”, afirma o presidente da Cooperativa, Euclides Vestena. Em 2020, as vendas da Camnpal registram crescimento de 38,8 % no volume físico e incremento no faturamento em 60 %. A participação da agroindústria no faturamento é de 20,45 % até agosto de 2020. No radar da Cooperativa, o investimento em novo engenho de arroz irá triplicar a capacidade atual de produção. Além disso, Vestena destaca a prática da intercooperação que a Camnpal possui com a Dália Alimentos, Cotricampo, CCGL e Redeagro. “A Camnpal vê na agregação de valor, através da agroindustrialização, o grande potencial do cooperativismo, seja através de projetos próprios ou por meio de intercooperação”, comenta.

Agroindústria é destaque na Ouro do Sul

A Ouro do Sul registra em 2020 crescimento de 15 % no faturamento. Segundo o diretor da Cooperativa, Ronei Lauxen, essa expansão tem relação direta com a agroindústria, que representa 80 % da atividade da Cooperativa. Para ele, um dos principais desafios é com relação aos projetos de Reforma Tributária do Estado e da União e os impactos que elas podem trazer na incidência de carga tributária sobre os produtos da alimentação. Nesse sentido, Lauxen salienta o trabalho das cooperativas e das instituições de representação do cooperativismo na defesa de políticas públicas que contribuem com o setor.

Internet no campo potencializa o agronegócio

A infraestrutura através da energia trifásica e da internet são fundamentais para atender os produtores rurais e gerar melhores resultados no campo. De acordo com o presidente da Fecoergs e diretor da Ocergs, Erineo Hennemann, a expectativa de crescimento das cooperativas do setor no RS é de 7 a 8 % este ano. Com 390 municípios atendidos, Hennemann chama a atenção de um fator importante que interfere na produtividade do negócio. “No Rio Grande do Sul, das 506 mil propriedades rurais, apenas 190 mil são providas por energia trifásica, ou seja, uma energia que não limita o consumo do nosso produtor rural”. O dirigente enfatiza que a Fecoergs, em parceria com a Ocergs e a Frencoop/RS, tem trabalhado na busca de construção de políticas públicas que favoreçam o produtor rural e reduzam o êxodo rural. “Nós precisamos de políticas públicas, financiamentos, estamos com proposta para reduzir o ICMS para essa atividade, de forma que possamos investir em cabos de fibra ótica e equipamentos, porque não se fala mais em produção rural sem automação, sem robótica, sem máquinas inteligentes e sem internet isso não vai acontecer”, explica.

Cotripal projeta ampliação de investimentos em suinocultura

Com expectativa de crescer 25% no faturamento em 2020, a Cotripal pretende ampliar os investimentos na área de suinocultura, que junto ao gado de corte representam atualmente as duas frentes de atuação da agroindústria cooperativa, responsável por cerca de 7,5% do faturamento da Cotripal.

Alianças estratégicas e diversificação de negócios

Em Sananduva, a Cooperativa Majestade desponta como uma das principais agroindústrias cooperativas do Estado. O frigorífico inaugurado em 2010 atua com capacidade para 1.000 suínos/dia. Para o presidente da Cooperativa, Egidio Loregian, a mudança do modelo de gestão e governança a partir de 2017 permitiu à Majestade organizar melhor a sua estrutura. O crescimento das atividades está sendo focado em alianças estratégicas, com prestação de serviços a algumas cooperativas e empresas. A Cooperativa tem programado para este ano iniciar a exportação e projeta tanto crescimento no campo quanto na indústria. “No campo, nós queremos produzir 60% a mais de suínos próprios para a nossa indústria, produzidos em quantidade e também em qualidade”. Através das alianças estratégicas e diversificação dos negócios, o dirigente projeta duplicar o faturamento da Cooperativa em 2021.

Oportunidades para o Ramo Transporte

O ramo Transporte tem crescido nos últimos anos no Estado e esse cenário se deve muito à compra em conjunto de insumos. Para o diretor da Ocergs e presidente da Cotraibi, Roberto Brezolin, essa prática de intercooperação no ramo impulsiona a expansão de negócios e fortalece as cooperativas. Para 2020, a projeção é de crescimento de 16% no faturamento das cooperativas do setor. Dentre os desafios apontados, Brezolin cita a Reforma Tributária como um tema a ser acompanhado de perto, visando não onerar as cooperativas de Transporte e reduzir a sua competitividade tanto no mercado estadual quanto nacional.

 

 

 

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