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Democracia da Cooperação, Economia Solidária e Economia Circular: Convergências para um Futuro Sustentável

Introdução Vivemos uma crise multidimensional: econômica, ambiental, social e política. Nesse contexto, surgem três caminhos transformadores que, quando integrados, podem redesenhar as bases do desenvolvimento: a Democracia da Cooperação, a Economia Solidária e a Economia Circular. Este artigo busca demonstrar como essas três propostas convergem em valores, estruturas e práticas, apontando para um modelo de sociedade mais justo, participativo e sustentável.

1. Democracia da Cooperação: base organizativa e participativa A Democracia da Cooperação propõe um modelo político-econômico baseado na participação direta dos cooperadores donos. Ela ultrapassa a mera representação, promovendo a autogestão coletiva e a intercooperação como formas de organização produtiva e decisão política. Com isso, oferece uma estrutura horizontal que valoriza o ser humano acima do capital.

2. Economia Solidária: a ética da produção e distribuição justa A Economia Solidária é um modo de produção, comercialização e consumo baseado na cooperação, na inclusão social e no respeito às diferenças. Ela valoriza o trabalho coletivo, a partilha de resultados e a autogestão, promovendo redes de solidariedade econômica e social.

3. Economia Circular: eficiência ecológica e reengenharia de processos A Economia Circular rompe com a lógica linear (extrair-produzir-descartar) e propõe ciclos fechados de uso de recursos. Ela incentiva a reutilização, a reciclagem, a inovação em design e a redução de desperdícios, contribuindo para a sustentabilidade ambiental e a resiliência econômica.

4. Convergências: um esquema de integração Esses três caminhos convergem nas seguintes dimensões:

  • Valores: Sustentabilidade, equidade, solidariedade, inclusão, participação cidadã e respeito à vida.
  • Práticas: Autogestão, reaproveitamento de recursos, cadeias produtivas solidárias e circulares, decisão coletiva.
  • Estruturas: Cooperativas, associações, redes colaborativas e plataformas digitais de intercooperação.

5. Proposta: Plataforma Digital Colaborativa como meio integrador A implementação de uma Plataforma Digital Colaborativa pode unificar essas três abordagens, organizando o mercado da informação, integrando cadeias produtivas sustentáveis e promovendo a governança cooperativa em tempo real. Essa plataforma seria o espaço de articulação entre as necessidades e as capacidades dos cooperadores, favorecendo tanto a circularidade econômica quanto a democracia participativa.

Conclusão Ao unificar Democracia da Cooperação, Economia Solidária e Economia Circular, criamos as condições para uma nova economia: regenerativa, justa e includente. Essa integração não é apenas desejável, mas urgente diante dos desafios do século XXI. É tempo de reconstruir o mundo com base na cooperação, na responsabilidade ecológica e na participação cidadã ativa 

Rosalvi Maria Teofilo Monteagudo

Contista, pesquisadora, professora, bibliotecária, assistente agropecuária e articulista na internet. Mestre em cooperativismo pelo CEDOPE/UNISINOS, em São Leopoldo – RS. Foi editora responsável do boletim informativo do ICA/SAA, São Paulo, no qual criou o espaço “Repensando o Cooperativismo”. Organiza cursos, conferências, estandes em feiras e já foi voluntária na Pastoral da Criança.

 

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