O papel das micro e pequenas empresas (MPEs) na economia brasileira é inquestionável. Segundo o Sebrae, elas respondem por quase um terço do PIB e garantem milhões de postos de trabalho em todas as regiões do país. Ainda assim, quando o assunto é crédito — peça essencial para crescer e sobreviver no mercado, esse segmento continua enfrentando obstáculos. É nesse cenário que o cooperativismo financeiro se destaca como uma alternativa inclusiva e transformadora para quem empreende.
Ao contrário das demais instituições bancárias, as cooperativas financeiras têm, no centro de sua missão, o próprio cooperado. Isso muda tudo: as decisões são tomadas pensando no empreendedor, o crédito chega com taxas mais acessíveis e o atendimento é próximo, humano e adaptado à realidade de cada negócio. Na prática, esse modelo democratiza o acesso a recursos e leva soluções a comunidades historicamente desassistidas. Não por acaso, no caso do Sicoob, há presença física em mais de 400 municípios onde nenhuma outra instituição financeira atua.
O protagonismo do Sicoob nesse segmento se comprova em números. Apenas em 2024, foram liberados mais de R$ 96,7 bilhões em crédito para Pessoas Jurídicas, consolidando o Sistema como um dos principais financiadores de micro, pequenas e médias empresas do país. Até agosto de 2025, o montante já alcança R$ 73 bilhões, evidenciando a crescente relevância do cooperativismo financeiro no apoio ao setor produtivo.
E o impacto vai além do crédito. Parte dos resultados das cooperativas retorna diretamente aos próprios cooperados, fortalecendo as comunidades onde atuam. Cada real movimentado nesse sistema volta em forma de investimentos, geração de renda e desenvolvimento local. Além disso, o cooperativismo estimula a capacitação e a educação financeira, contribuindo para que os pequenos negócios se tornem mais eficientes e sustentáveis.
Apesar desses avanços, ainda há um desafio importante: a falta de conhecimento. Muitos gestores de MPEs ainda desconhecem o potencial do modelo cooperativo e mantêm sua dependência de bancos tradicionais, geralmente mais caros e burocráticos. Ampliar o acesso à informação e criar políticas de incentivo ao cooperativismo são passos essenciais para mudar esse cenário.
Num país que valoriza a diversidade e busca caminhos para um desenvolvimento econômico sustentável, os modelos coletivos de finanças não podem ocupar apenas o lugar de “alternativa”. Eles precisam ser reconhecidos como protagonistas. Apoiar as micro e pequenas empresas com crédito justo e soluções reais significa fortalecer a base da economia e construir um futuro mais próspero, inclusivo e equilibrado para todos.