A origem do trabalho está atrelada à evolução da humanidade, sendo uma estratégia de sobrevivência. Na pré-história, o conceito era associado à cooperação entre grupos, visando assegurar a subsistência mútua. Com a chegada das revoluções industriais, a lógica se transformou intensamente, estimulada pelo surgimento de novas tecnologias, produção em escala e competitividade acirrada.
Na contemporaneidade, novos desafios se apresentam. A inteligência artificial promete acelerar o trabalho ou até substituir algumas profissões. A política macroeconômica global é marcada por tensões geopolíticas e incertezas comerciais. E para onde quer que olhemos, mudanças climáticas nos instigam a reconsiderar a forma e o ritmo de produção atual.
Porém, se o trabalho nasceu da cooperação como estratégia de sobrevivência, por que insistimos em modelos cada vez mais competitivos diante de desafios que exigem soluções coletivas? Não deveríamos abrir mão do individualismo para unir esforços e encontrar meios de construir uma economia e comunidades mais sustentáveis e inclusivas?
No livro “O futuro é coop”, a futurista Martha Gabriel argumenta que o cooperativismo é um caminho próspero para lidar com os dilemas da pós-modernidade. Ela considera que o modelo de negócio é capaz de remodelar o futuro do trabalho, não somente ao gerar empregos e renda justa, mas ao valorizar as pessoas e a coletividade acima do lucro.
Em uma cooperativa, o intuito é fazer com que os cooperados – membros – prosperem juntos. Um pequeno agricultor, por exemplo, terá mais facilidade para vender e escoar a sua produção, já que a cooperativa poderá acessar mercados que ele sozinho não conseguiria. Uma comunidade poderá se desenvolver mais com a presença de cooperativas na região, graças à geração de empregos, fortalecimento da economia local e oferta de serviços a preços mais vantajosos.
Além dos benefícios econômicos, as cooperativas têm como diferencial o interesse genuíno que elas demonstram em construir um futuro em que predominem relações de cooperação. O sétimo princípio do cooperativismo, chamado Interesse pela comunidade, estimula o investimento em projetos economicamente viáveis, ambientalmente corretos e socialmente responsáveis. Em 2025, as ações de voluntariado das cooperativas brasileiras, mobilizadas pela campanha Dia de Cooperar, beneficiaram quase 4 milhões de pessoas em todas as regiões do país.
Esses exemplos mostram que é possível fazer negócios e, ao mesmo tempo, cuidar das pessoas e do meio em que vivemos; que os resultados econômicos podem ser orientados a objetivos que não se limitem ao lucro; e sobretudo, que o trabalho pode ser produtivo, humano e alicerçado na colaboração.
Para repensar o futuro do trabalho, sugiro refletirmos sobre o passado da humanidade e o quanto a cooperação nos impulsionou. O cooperativismo está aqui para nos lembrar que a união de pessoas, saberes e propósitos gera desenvolvimento econômico, inclusão social e relações de trabalho mais saudáveis.