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Nova economia para as cooperativas do ramo agropecuário

O agronegócio cresceu mais de 24% em 2020, é responsável por 20 % do Produto Interno Bruto do Brasil e as cooperativas do Ramo Agropecuário por 50% deste volume. Em 2019 associavam mais de dez mil cooperados, empregavam mais de novecentas mil pessoas, contribuíram com quase cem bilhões em tributos sobre vendas e destinaram mais de oitenta bilhões em pagamentos com pessoal. Este corpo saudável, junto com uma mente inteligente na definição de estratégias, produziu sobras – nome que as cooperativas dão aos lucros – de mais de seis bilhões. A razão destes resultados está na alma das cooperativas, sua cultura, valores e princípios cooperativistas. Garantir a pujança é desenvolvê-los e cada vez mais torná-los presentes em um organismo profícuo de corpo, mente e alma.

Os dirigentes de uma empresa comum têm por obrigação – e estão absolutamente corretos – maximizar o retorno sobre os investimentos dos proprietários ou acionistas. Para tanto, definem estratégias de marketing para criar ou satisfazer demandas dos clientes; cuidam de aperfeiçoar os processos para dar velocidade e qualidade aos produtos reduzindo quanto puderem os custos, inclusive os da folha de pagamento. As áreas de recursos humanos cuidam do desenvolvimento das competências e da manutenção do bom clima.  Os dirigentes de uma cooperativa fazem mais do que isso: estão atentos também à alma da cooperativa, sua cultura, valores e visão de mundo.

Os indicadores que medem o corpo e a mente de uma cooperativa são semelhantes aos de uma empresa qualquer, mas podem obscurecer quatro condições essenciais da alma: os empregados de uma cooperativa devem ser “coo-laboradores; os clientes de uma cooperativa são associados; as sobras não pertencem aos detentores rentistas do capital, mas aos cooperados; e as decisões não são tomadas segundo o volume do investimento, mas pelo voto individual.

Mercados de alta complexidade, incerteza e concorrência agressiva, obrigam que se invista em máquinas, tecnologia, processos sofisticados de controle dos recursos produtivos, desenvolvimento das competências dos recursos humanos. Em uma Nova Economia é preciso atentar para dois fatores, tão óbvios que podem não ser percebidos: os resultados vêm de clientes/associados – fidelizados, porque são compreendidos e respeitados; e quem produz os resultados são as pessoas, mais do que tecnicamente capacitadas, comprometidas com os valores cooperativistas.

Líderes das cooperativas são os responsáveis para desenvolver pessoas e equipes que compreendam que as riquezas produzidas pelo Agronegócio e com robusta participação do Ramo Agropecuário são o resultado da atuação dos milhares de associados e quase um milhão de pessoas de alta competência técnica que nelas trabalham, unidas pelos princípios que vêm desde 1844 com os Pioneiros de Rochedale. Aí está a chave para o sucesso.

Mário Donadio

Sociólogo, Educador na Metanoia, professor de pós-graduação em Psicologia Organizacional e do Trabalho na Universidade Mackenzie