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Três coisas que aprendi com o cooperativismo

Em julho, completei 26 anos de atuação ininterrupta na Unicred União. Quando comecei, a cooperativa de crédito ensaiava os passos iniciais, então como Unicred Litoral. A sede ficava em uma garagem anexa ao prédio da Unimed em Itajaí, não havia mais de 70 cooperados e lembro que comemoramos com um café quando concedemos os primeiros R$ 100 mil em crédito, ainda nos anos 90. Bem diferente do que é hoje, uma cooperativa sólida com 20 mil associados, mais de R$ 1 bilhão em ativos administrados e uma das três maiores singulares do Sistema Unicred no país.

Dedicação e uma boa dose de amadurecimento, em especial na minha atuação como gestor, separam os dois momentos. Para mim esse é um período de consolidação não apenas de uma bonita trajetória profissional, mas de uma visão de mundo. Sei que há muitos desafios pela frente, mas para quem está chegando e quer conhecer melhor o universo das cooperativas, destaco três aprendizados que o cooperativismo me trouxe:

 

1.    É feito por pessoas e para as pessoas 

 

Gostar de gente é condição para viver o dia a dia do cooperativismo, pois nele tudo acontece em função do ser humano. Existimos porque pessoas (os cooperados) se uniram por um objetivo comum, trabalhamos sempre em equipe, nosso objetivo é gerar prosperidade para as pessoas (os cooperados, de novo) e o fruto do que fazemos beneficia mais e mais pessoas (a comunidade), pois é reinvestido no próprio lugar. E por estarmos o tempo todo em contato com pessoas, conhecendo-as e cuidando delas, o cooperativismo gera algo que humaniza ainda mais: a sensação de pertencimento. 

 

2.    O cooperativismo se renova a cada dia  

 

As cooperativas têm quase 180 anos – a primeira surgiu em 1844 no bairro de Rochdale, em Manchester (Inglaterra) – e seu conceito continua dinâmico, contemporâneo. Sete princípios norteiam tudo isso: livre adesão, gestão democrática, participação dos membros, autonomia e independência, educação, intercooperação e interesse pela comunidade. Se você reparar bem, eles continuam atualíssimos. Nesse período todo, as cooperativas se moldaram a todas as mudanças do mundo e estão prontas para se adaptar ao futuro. E quando falo disso me refiro em especial à forma de pensar. Como o cooperativismo sempre se renova, eu me sinto em uma cooperativa nova a cada dia.

 

3.    O cooperativismo produz legados

 

Em minha jornada particular, me enxergo construindo a longevidade da minha cooperativa para retribuir a confiança que a diretoria, os cooperados e a equipe sempre me deram. Além disso, me realizo sabendo que estou contribuindo para a formação das pessoas que trabalham comigo, elas próprias responsáveis pelo futuro da cooperativa. Considero esses os meus legados, mas você pode conversar com qualquer pessoa que vive intensamente o cooperativismo e a resposta será a mesma: ao olhar para trás, se vê o propósito do caminho percorrido. Nunca é uma caminhada em vão.

 

Ingo Régis

Diretor administrativo da Unicred União