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ESG: as cooperativas sabiam antes

A imprensa especializada em negócios e noticiários de TV têm destacado a grande importância das políticas organizacionais indicadas pela sigla ESG, do inglês Environmental, Social and Governance. Em português: Governança Ambiental e Social. As cooperativas têm muito o que ensinar sobre esta questão relacionada ao bom desempenho empresarial, ética e responsabilidade social.

As cooperativas, como qualquer empresa, não devem se acanhar com a palavra lucro, apelidado de sobras; não precisam disfarçar que buscam sim aumentar suas receitas com vendas e otimizar seus processos para obter a máxima produtividade.  O que sabem desde sempre é que uma cooperativa existe para gerar riquezas que beneficiam além de si mesmas; e o que parecia altruísmo utópico é na verdade a essência do seu negócio e máxima inteligência de sua governança.

A ONU, Organização das Nações Unidas, definiu Dezessete Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável; ambicioso apelo à uma ação global – diríamos também cooperativa – para garantir que as pessoas possam desfrutar de paz e de prosperidade. O Brasil tem metas a serem alcançadas na Agenda 2030, um compromisso global assumido junto a outros 192 países.

Alguns autores contemporâneos, defensores do propósito humanista das empresas, já ensinavam que uma empresa é um organismo com corpo, mente e alma e que o lucro é apenas resultado da harmonia sistêmica destes elementos. E mais ainda: que o foco no Social – a letra S do ESG – é a alma de uma empresa plena, tão importante quanto a sua mente, Governance.

Os Princípios Cooperativistas, desde Rochedale em 1844, já explicitavam a importância da Intercooperação e Relacionamento com a comunidade. O oitavo objetivo para o Desenvolvimento Sustentável é enfático quanto a “Promover o crescimento econômico , inclusivo e sustentável, emprego pleno, produtivo e trabalho decente para todas e todos”.  Uma cooperativa integra uma constelação de empresas associadas. Pode agir fortemente na governança dessas empresas educando-as para que adotem políticas orientadas para o desenvolvimento social e boas práticas de liderança e gestão de pessoas.

No Brasil, temos regularmente pesquisas sobre as melhores empresas para se trabalhar, muitas cooperativas concorrem. Nos Estados Unidos a Revista Fortune é uma fonte importante de consulta. As empresas competem por fazer parte da lista, não apenas para recrutar talentos, mas pelo impacto favorável na imagem e na consolidação dos valores da empresa.

Exatamente como as empresas mais valorizadas nas bolsas sabem hoje, o relacionamento interpessoal é condição essencial para ter a fidelização dos clientes e uma equipe comprometida: melhores condições de trabalho e diversidade de competências.

Esta equipe com diversidade de competências é capaz de orientar-se autonomamente para a máxima satisfação dos clientes e trabalhar com segurança e qualidade. Quanto à governança – o G do ESG – ela está garantida se uma nova cultura for desenvolvida que privilegie o Capital Relacional, que pode ser mensurável por indicadores tão precisos quanto os velhos e úteis indicadores que medem o ROI – Retorno Sobre os Investimentos. 

Mário Donadio

Sociólogo, Educador na Metanoia, professor de pós-graduação em Psicologia Organizacional e do Trabalho na Universidade Mackenzie