O sistema cooperativo de crédito no Brasil é responsável por 4% do mercado financeiro, mas vem crescendo e tem como meta atingir em breve a marca de 10 milhões de cooperados. Para debater e promover o potencial transformador do cooperativismo financeiro na sociedade brasileira, a Sicoob Credicitrus, maior cooperativa de crédito do país com 82 mil cooperados e ativos totais de R$ 5,4 bilhões, promoveu no dia 21 de novembro, em Bebedouro (SP), onde está localizada sua sede, o evento intitulado “O Poder do Cooperativismo – Nosso Momento é Agora”.
O encontro reuniu cerca de 300 participantes, entre eles representantes dos principais órgãos e entidades do segmento, lideranças e especialistas do tema no Brasil, em palestras que apresentaram o cenário atual do cooperativismo de crédito no país, tendências, desafios, sua importância no sistema financeiro nacional e seu grande potencial de crescimento.
Marcos Lourenço Santin, vice-presidente do Conselho de Administração da Sicoob Credicitrus, abriu o evento destacando a importância do cenário atual do cooperativismo dedicado ao crédito no país. “Vivemos um momento estimulante. O cooperativismo cresce e eleva sua importância na sociedade, levando benefícios às comunidades. Cooperar e compartilhar são palavras mágicas que têm o poder de transformar nossa sociedade hoje e para um futuro melhor”, destacou Santin.
O sistema cooperativo de crédito é uma alternativa aos bancos tradicionais e oferece a seus associados acesso aos principais produtos e serviços financeiros com vantagens como economia em juros e tarifas. A Sicoob Credicitrus, com 34 anos de atividades e rating A3, vem crescendo em São Paulo e no Triângulo Mineiro, totalizando 60 filiais, além de patrimônio líquido de R$ 1,3 bilhão, operações de crédito de R$ 2,5 bilhões e depósitos à vista, a prazo e LCA de R$ 3 bilhões, de acordo com balanço de outubro de 2017.
Durante o evento, os representantes da Sicoob Credicitrus avaliaram a trajetória de sucesso da entidade e compartilharam os desafios e perspectivas para o crescimento do cooperativismo de crédito no país.
Marcelo Martins, diretor de Tecnologia da Sicoob Credicitrus, ressaltou em sua apresentação o modelo de negócios proposto pelo cooperativismo como o único capaz de gerar e distribuir riqueza de forma meritocrática. “O cooperativismo é um modelo centrado no ser humano, na conexão de pessoas com propósito comum de geração de prosperidade. E todos os recursos gerados a partir desse modelo permanecem na sua região de origem, distribuindo riqueza e criando empregos nas comunidades”, afirmou Martins.
Crescimento superior aos bancos tradicionais
Na sequência, Henrique Castilhano Villares, presidente do Sicoob Confederação, maior sistema financeiro cooperativo do Brasil com cerca de 3,7 milhões de associados, falou sobre o posicionamento de destaque da instituição no mercado nacional. O Sicoob é hoje o 39º maior grupo empresarial privado do país, levando em conta as empresas de todos os segmentos, excluindo as estatais, segundo pesquisa da Revista Exame.
“Estamos assumindo posições que mostram que não somos mais pequenos. Há cinco grandes bancos que dominam 80% do setor. Estamos posicionados num segundo grupo, de bancos de tamanho médio no país. E nesse ambiente somos, por exemplo, o 1º colocado em depósitos totais, o 7º em patrimônio líquido, 8º em operações de crédito e 9º em ativos”, informou Villares.
Villares ainda destacou que o Sicoob cresce mais que os bancos tradicionais. Em setembro de 2017, a entidade registrou o volume de R$ 89,4 bilhões em ativos, evolução de 20,7% em relação ao mesmo período de 2016. Já a carteira de crédito alcançou R$ 40,7 bilhões, crescimento de 8,4%, assim como os depósitos registraram aumento de 21,6%. No comparativo com o sistema financeiro nacional, o Sicoob vai na contramão do mercado. Já os maiores bancos do país tiveram um crescimento em ativos de apenas 1,6% e registraram queda de 4,8% no crédito, informou Villares.
Cooperativismo conecta pessoas e inspira negócios
Marco Aurélio Almada, presidente do Bancoob – Banco Cooperativo do Brasil, falou sobre a importância do cooperativismo em conectar pessoas e inspirar negócios, além de destacar o papel fundamental da tecnologia e inovação para promover o crescimento do setor. “Quanto mais o nosso cooperado se desenvolve e cresce, a comunidade na qual estamos inseridos também se desenvolve, e a cooperativa tem maior sucesso. Isso porque o que nos move é o sentimento de colaboração, cooperação e compartilhamento”, afirmou Almada.
O presidente do Bancoob ainda destacou que esse é o momento ideal para o cooperativismo avançar na sociedade, enfrentando os desafios de se modernizar. “O desenvolvimento tecnológico acelerado torna os modelos convencionais obsoletos. Temos que inserir cada vez mais tecnologia no ecossistema do cooperativismo financeiro. Já estamos fazendo isso apoiando startups, modernizando os canais para atender os cooperados em todas as plataformas e mostrando um modelo de negócio que muda o mundo para o melhor”, destacou ele.
Banco Central destaca a importância do cooperativismo financeiro
A importância do cooperativismo para a inclusão financeira e a crescente relevância do segmento no sistema financeiro nacional foram destacadas pelos representantes do Bacen – Banco Central que participaram do evento. Harold Paquete Espínola Filho, do Departamento de Supervisão de Cooperativas e de Instituições não Bancárias (Desuc,) abriu sua apresentação ressaltando o valor significativo das cooperativas para a inclusão financeira de uma parcela da população brasileira, residente em municípios que não são atendidos por instituições bancárias.
E avaliou que, mesmo com o crescimento exponencial do cooperativismo financeiro, ainda há muito espaço para conquistar. Regulação, transparência e sustentabilidade são fatores que contribuíram para a evolução do sistema, afirmou o executivo.Cláudio Moreira, do Departamento de Regulação, Supervisão e Controle das Operações de Crédito Rural e do Proagro-Derop do Bacen, discutiu o futuro do crédito rural no país. “Temos um modelo de 40 anos financiando o agronegócio. Tivemos sucesso até aqui, mas precisamos pensar alternativas para a captação de recursos. As cooperativas terão um papel importante nessa evolução”, avaliou Moreira. Ele ainda destacou que a tecnologia da informação será uma importante aliada para facilitar a vida do produtor na captação de crédito. O uso da tecnologia irá diminuir o custo de observância e trazer informações mais confiáveis sobre as lavouras, ressaltou Moreira.
Para finalizar o temário do encontro, o consultor Ricardo Guimarães, presidente fundador da Thymus Branding, mostrou como o cooperativismo pode ter um papel fundamental na sociedade contemporânea, difundindo valores como a intercooperação e a interdependência. “O espírito da nossa época é marcado pela cooperação, que está pautando as dinâmicas sociais.
A cooperação é um imperativo de sobrevivência, contribui para a velocidade do fluxo de informação nas sociedades, integra pessoas e promove a interação entre elas. O cooperativismo tem um ativo fundamental que é gerenciar o intangível, essa conexão entre as pessoas, o segredo para atingir o sucesso”, concluiu Guimarães.
Dirigido a empresas e profissionais interessados no cooperativismo, cooperados, autoridades e lideranças setoriais convidados, o evento teve como objetivo ser um marco na expansão desse setor, que alcança mais de 25% do mercado financeiro em alguns países desenvolvidos.