Newsletter
Notícias

Sistema Ocemg lança o Anuário do Cooperativismo Mineiro 2024

10/07/2024

O Cooperativismo Mineiro movimentou R$129 bilhões em 2023, representando 12,6% do PIB do Estado. O montante indica um crescimento de 10% na movimentação econômica do setor em relação ao ano anterior, confirmando que o cooperativismo é um bom negócio no cenário nacional e, principalmente, estadual. Os dados são do Anuário de Informações Econômicas e Sociais do Cooperativismo Mineiro 2024, lançado pelo Sistema Ocemg no dia 3 de julho, no Centro de Inovação e Espaços de Eventos Unimed-BH.

Com a presença de mais de 250 participantes, entre dirigentes de cooperativas mineiras e conselheiros do Sistema Ocemg, os principais indicadores econômicos e sociais das cooperativas do Estado foram apresentados. Além disso, o evento trouxe as megatendências para o Brasil e o mundo que afetam o desempenho, crescimento e sustentabilidade dos negócios cooperativos.

O presidente do Sistema Ocemg, Ronaldo Scucato, abriu o encontro com entusiasmo, destacando que Minas Gerais dá exemplo na construção do anuário. “Uma ilustração disso é a quantidade de cooperativas (93%) que responderam ao questionário e compartilharam seus dados conosco. Posso dizer que nosso documento é o mais completo do país”, afirmou. “Precisamos fazer com que a sociedade conheça melhor o cooperativismo, que é um pilar fundamental para a prosperidade social. Além disso, é necessário considerar a importância de termos políticas públicas que possibilitem ampliarmos ainda mais o nosso trabalho”.

 

Anuário 2024

O superintendente do Sistema Ocemg, Alexandre Gatti Lages, apresentou o “Momento Sistema Ocemg” e divulgou os próximos eventos para o fortalecimento do coop. Sobre o anuário, em sua fala, ele relembra que a primeira edição foi lançada em 2006 como um grande desafio de fazer um panorama de dados. “Hoje, 19 edições depois, podemos perceber que o cooperativismo mineiro tem crescido significativamente”, disse. “A sociedade tem percebido o movimento de forma diferente, um exemplo disso é a pesquisa do Sistema OCB, que mostrou que 88% das pessoas entrevistadas consideram o cooperativismo atual, moderno e inovador. Além disso, 63% das pessoas afirmaram que o fato de um produto ou serviço ser de uma cooperativa influencia na sua decisão de compra”.

O analista de Desenvolvimento e Monitoramento das Cooperativas do Sistema Ocemg, José Fidelis, apresentou os dados do Anuário, destacando que 47% da população mineira está envolvida com o cooperativismo. “Isso indica que as cooperativas são cada vez mais vistas como organizações sólidas. A confiança nelas tem aumentado, atraindo mais consumidores e refletindo no aumento do número de cooperados”, avaliou. “O anuário é uma radiografia do cooperativismo e mostra onde as coops estão, quem elas são e o que representam”.

A economista cooperativista, comendadora do Cooperativismo Mineiro e influenciadora Coop, Rita Mundim, também fez uma análise das informações apresentadas. “Mostrar ao público o que o cooperativismo tem feito é fundamental, especialmente num momento de desafios climáticos. O cooperativismo une resultados financeiros, bem-estar social e respeito ambiental”, explicou. “O crescimento do setor em 2023 destaca Minas como um Estado sustentável e resiliente. Em um período de mudanças tecnológicas e desafios globais, o cooperativismo se mostra mais relevante do que nunca, oferecendo um futuro promissor para a economia local e a sociedade”.

 

Oportunidades para o presente e futuro

A cientista política e gerente-geral do Sistema OCB, Fabíola Nader, mediou o painel “Perspectivas e Oportunidades para o Cooperativismo e Intercooperação entre os Ramos”. Para ela, compreender onde houve evolução e onde é preciso melhorar é fundamental. “Ao reunir as lideranças para analisar o cooperativismo como um todo, o Sistema Ocemg permite que as cooperativas vejam seus números e identifiquem áreas de melhoria”, analisou. “Temos o desafio de alcançar a meta de prosperidade em 2027, e Minas Gerais é essencial para isso. Os dados do Anuário mostram a força do setor e servem como um motivo para a sociedade prestar mais atenção ao cooperativismo”.

Marco Aurélio Almada, diretor-presidente do Centro Cooperativo Sicoob (CCS), destacou o momento de apogeu do cooperativismo brasileiro, especialmente o de crédito. “Nos últimos 30 anos, alcançamos um desenvolvimento que nem os líderes mais otimistas teriam previsto. No entanto, nosso sucesso também nos traz desafios, como a necessidade de adaptações”, observou. “Apesar disso, há boas notícias na intercooperação, especialmente com a regulamentação de empréstimos compartilhados, que permite uma maior integração entre cooperativas de crédito e de produção. Nosso futuro, embora cheio de desafios, também está repleto de oportunidades”.

O professor e engenheiro-agrônomo Marcos Fava Neves ficou impressionado com os números do Anuário. “Minas Gerais está dando uma lição e as oportunidades de crescimento são enormes nas áreas de grãos, café, carnes e leite. Com um cooperativismo pujante, o Brasil pode conquistar cada vez mais posições no mercado internacional”, considerou. “Estou muito contente de ver os produtores embarcando nesse modelo, que permite produzir com menos e fazer uma gestão eficiente. Com esse estudo, eles conseguem ter uma noção de quantas pessoas são empregadas, a massa salarial e o volume gerado, fatores importantes para reivindicar melhorias e fazer planejamentos estratégicos”.

O presidente da Confederação Nacional das Cooperativas de Transporte de Cargas e Passageiros (CNTCOOP), Evaldo Matos, abordou as oportunidades que surgem a partir da publicação. “O Anuário não é apenas um documento protocolar, mas um instrumento ativo para comparações e medições, orientando nossos planos diários. Tenho certeza de que o ramo de transporte, por exemplo, se fortaleceu muito com esse anuário”, observou. “As cooperativas podem utilizá-lo para avaliar espaços de atuação em seus ramos, pois ele permite comparar nossos números e estruturas, ajudando no posicionamento competitivo”.

 

Reforma Tributária

Durante sua participação no painel, o advogado e especialista em Direito de Empresa, João Caetano Muzzi, levantou o tema da Reforma Tributária. “Estamos vivendo um momento importante, que exige reflexão sobre um modelo econômico socialmente justo e equilibrado. Os valores cooperativistas têm amadurecido ao longo do tempo e são fundamentais para a implementação de um Estado mais justo”, analisou. “A Reforma é uma questão de grande atualidade que afeta a intercooperação, por isso precisamos fortalecê-la, complementando as atividades das cooperativas. O avanço do cooperativismo deve ser acompanhado pelo avanço jurídico e tributário, e essa é uma das grandes discussões que temos hoje”.

 

Analisar e comunicar

A palestra “A Economia Brasileira e Mundial e os Impactos nos Negócios Cooperativos” foi ministrada pelo economista Ricardo Amorim, considerado pela Forbes uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil e #1 Top Voicer do LinkedIn do país. “Nos últimos três anos e meio, a economia brasileira tem superado expectativas, mas agora, com preocupações fiscais, arriscamos perder esse impulso. As cooperativas, atuando nesse ambiente, têm um papel vital ao unir efetividade e impacto social”, avaliou. “Este modelo é essencial, pois combina o foco social do setor público com a eficiência do setor privado, evitando os desperdícios comuns. Os dados do anuário mostram a expansão do sistema cooperativista, evidenciando a necessidade da sociedade de unir esses dois aspectos de forma promissora”.

O encerramento do evento ficou por conta do jornalista, apresentador e economista Dony de Nuccio. Durante a palestra “Comunicação – A Força do Cooperativismo”, ele destacou a importância das cooperativas se comunicarem de maneira mais impactante para aumentar a visibilidade do setor na sociedade. “A dinâmica e os benefícios do cooperativismo são bem conhecidos internamente, mas ainda não são tão claros para a sociedade. Ajustando a comunicação de forma estratégica podemos fortalecer a imagem externa das cooperativas”, ponderou. “É fundamental criar conexões baseadas em valores, pois as pessoas se conectam com histórias, não com marcas”.

 

Foco no fortalecimento

O presidente do Sicoob Coopermec, Adarlan Fonseca, acredita que o sucesso é resultado do trabalho conjunto de toda a equipe. “Cada um de nós se dedicou a entender onde precisávamos chegar, focando em melhorar nossos resultados”, afirmou. “O novo anuário, com dados atualizados de diferentes ramos cooperativos, vai nos ajudar a aprimorar nosso sistema nos próximos meses. O documento nos orienta, mostrando onde estamos crescendo e quais cooperativas estão melhorando. Isso promove a intercooperação, essencial para o fortalecimento de todo o sistema cooperativista”.

Outra cooperativa em destaque é o Sicoob Central Crediminas. Segundo o diretor-executivo da coop, Elson Rocha Justino, o trabalho estruturado de todo o sistema, com suas 69 filiadas, foi fundamental para o crescimento da instituição. “Nós atuamos nas singulares, alcançando níveis superiores de eficiência. Nosso compromisso com o cooperativismo é contínuo”, declarou. “O anuário serve a dois propósitos principais: comparar e verificar onde é possível melhorar, identificando boas práticas e utilizando os indicadores para a melhoria do desempenho. Além disso, tem um aspecto comercial importante, permitindo identificar cooperativas em outros ramos para criar parcerias, ampliar negócios e fortalecer a intercooperação”.

Sistema Ocemg