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Do campo à cooperação, uma história mineira que se tornou referência

06/01/2026

Quando o produtor de queijo Onésio Leite da Silva, de São Roque de Minas, conheceu o cooperativismo, não imaginava que esse encontro mudaria para sempre a história de sua família. Da informalidade ao reconhecimento nacional, seu trabalho se tornou um símbolo de Minas e de como as cooperativas contribuem para transformações econômicas e sociais nos territórios onde atuam. Agora, essa trajetória está no documentário Histórias de um mundo melhor, lançado pelo Sistema OCB como parte do legado do Ano Internacional das Cooperativas.

Com cinco exemplos reais de várias partes do Brasil, a produção audiovisual tem narrativa sensível e revela, em cada imagem, a força humana que sustenta o cooperativismo. São pessoas que encontram no coletivo a chance de seguir no campo e recomeçar trajetórias, abraçam iniciativas que conciliam preservação ambiental e geração de renda e comunidades inteiras que avançam quando escolhem cooperar. O relato de Onésio é o único de Minas Gerais e da Região Sudeste no filme.

 

Tradição e reconhecimento

A história mineira se passa na Serra da Canastra e mostra como Onésio superou um período difícil com o apoio técnico e financeiro do Sicoob Sarom. Em uma fase marcada pela informalidade, a produção de Onésio seguia o caminho comum a muitos pequenos produtores da região, com limites que impediam o crescimento. Naquele momento, o queijo deixava a fazenda sem identificação e sem garantia de origem, o que restringia o acesso a mercados e colocava o trabalho em risco.

“Antes, a gente produzia poucos queijos e vendia para o queijeiro, que passava semanalmente na fazenda para buscar. Ele reunia a produção de vários produtores, sem separação, e o consumidor final não sabia a procedência. Além disso, o queijo sem legalização não pode ser comercializado em espaços que agregam valor, acaba se tornando um produto clandestino, sujeito à apreensão e ao descarte pela fiscalização sanitária”, relatou o produtor no documentário.

O retorno obtido com a produção artesanal mal cobria os custos básicos da atividade, tornando o campo insuficiente para garantir a sobrevivência e impondo decisões difíceis à rotina da família. “Naquela época, eu lucrava cerca de R$ 6 por queijo, o que resultava em aproximadamente R$ 180 por semana, valor insuficiente para cobrir as despesas. Com essa renda, eu precisava pagar sal, coalho e remédios para o gado. Em 2009, tive que sair para trabalhar fora, porque o dinheiro não dava conta dos custos. Foram três anos assim”, lembra.

A mudança começou a se desenhar na vida de Onésio a partir da aproximação com Sicoob Sarom e com os espaços de diálogo promovidos pelo cooperativismo. Nesse ambiente de cooperação, seu produto deixou de ser apenas mais um entre tantos e passou a ser reconhecido pela qualidade e pela origem. Foi nesse contexto que surgiu a oportunidade de reposicionar o queijo e dar os primeiros passos rumo à formalização. Onésio foi convidado pela cooperativa a participar de uma reunião com compradores e passou a comercializar seus produtos sem intermediários e com valores justos.

Com o apoio do Sicoob, produtores da região montaram uma associação e conseguiram recursos para ampliar a produção e atender a critérios legais para sair da informalidade. Hoje, a marca Queijo do Onésio é um sinônimo de produto artesanal de qualidade, com prêmios e reconhecimentos nacionais. O queijo que antes era vendido por R$ 6 passou a alcançar preços entre R$ 70 e R$ 100.

A expansão da atividade também transformou a dinâmica familiar. As filhas dele retornaram ao trabalho na fazenda e passaram a atuar diretamente no negócio. Além do queijo, hoje a família também trabalha com turismo, recebendo visitantes em uma pousada e em visitas ao local de produção.

No documentário, o presidente do Sicoob Sarom, João Leite, mais conhecido como Joãozinho, destaca a história da cooperativa, fundada em 1991 após o fechamento da única agência bancária de São Roque de Minas, e conta que o objetivo sempre foi ir além dos serviços financeiros. “A ideia era gerar movimentação econômica local e revertê-la em projetos que promovessem o desenvolvimento da região, com agregação de valor, produção de ativos econômicos e geração de mais negócios, empregos e renda”,

Assista ao documentário Histórias de um mundo melhor, disponível no canal do Sistema OCB no YouTube.

Sistema Ocemg

 

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