Força feminina no campo tem participação do coop mineiro
10/03/2026
Em 2026, a Organização das Nações Unidas (ONU) celebra o Ano Internacional da Mulher na Agricultura, um marco global para valorizar a presença cada vez mais decisiva delas no agronegócio, uma realidade que já transforma o setor, com a participação do cooperativismo no Brasil e em Minas Gerais.
Em todo o mundo, as mulheres representam 41% da força de trabalho do setor agroalimentar, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), e o fortalecimento da participação delas tem o potencial de elevar o Produto Interno Bruto (PIB) global em US$ 1 trilhão, além de reduzir a insegurança alimentar para 45 milhões de pessoas.
Alcançar essa meta demanda uma transformação profunda, movimento que já está em curso no agro brasileiro. Se antes as mulheres estavam apenas na terra, em meio às lavouras, hoje gerenciam equipes, conduzem as finanças e traçam estratégias de mercado. Segundo pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), elas já representam 38,1% da força de trabalho do setor no país e trazem consigo o diferencial valioso do compromisso inegociável com a sustentabilidade.
“Hoje, as mulheres têm um papel cada vez mais relevante nas cooperativas do agro”, destaca Tania Zanella, presidente-executiva da OCB. “Elas não estão apenas como cooperadas ou colaboradoras, mas assumem funções de liderança, gestão e tomada de decisão. Isso é transformador para o movimento cooperativista”.
Esse movimento ganha ainda mais ressonância com o reconhecimento da ONU no Ano Internacional, abrindo espaço para acelerar a redução das desigualdades de gênero no campo. “As mulheres sempre foram fundamentais para o setor agropecuário, e agora passaram a assumir, com muita legitimidade, o protagonismo nas decisões”, afirma Ronaldo Scucato, presidente do Sistema Ocemg. “Apoiar a liderança feminina é algo que vai além da questão de equidade, mas garante que o agronegócio seja mais humano, inovador e próspero para todos nós”.
Liderança mineira
No Brasil, Minas Gerais está na linha de frente dessa transformação. O Estado concentra o segundo maior contingente do país de propriedades rurais dirigidas por mulheres, com 86,7 mil estabelecimentos, segundo dados do último Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Esse protagonismo também se reflete no cooperativismo, que responde por 22,6% do PIB do agronegócio mineiro. Hoje, 13 cooperativas agropecuárias do Estado são presididas por mulheres. Por trás dessas estatísticas, estão trajetórias de sucessão, gestão de excelência e muito trabalho.
Uma delas é a de Mariana Velloso Heitor, primeira mulher a presidir o Conselho de Administração da Expocacer. “Para mim foi um orgulho ser pioneira em ocupar esse espaço. É um voto de confiança e uma responsabilidade muito grande. As mulheres, de uma forma geral, atuam muito bem nesse segmento dos cafés especiais. A presença delas é muito forte porque esse olhar cuidadoso é muito do feminino”, afirma.
Cooperada da Expocacer, a produtora rural Maria Thereza Mattos Couto está fazendo história no setor com a criação da marca Filomena Estefânia, com grãos colhidos na Fazenda Central Mattos Santa Rita, comandada por ela. “O café tem o nome da minha mãe, só colocamos nele o que temos de melhor. Nós que trabalhamos no campo sabemos a qualidade do que levamos para as pessoas dentro das embalagens, e fazemos com muito carinho”.
Para impulsionar trajetórias como a de Maria Thereza, as cooperativas agropecuárias mineiras têm criado comitês de mulheres, espaços para troca de experiências, formação de lideranças e fortalecimento da participação feminina na gestão. “Na Cogran, o grupo é aberto e cresce a cada encontro, mostrando o quanto a mulher tem buscado se aproximar, aprender e ocupar seu espaço no cooperativismo. A presença feminina, antes tímida, começa a ganhar espaço institucional e estratégico”, conta Juliana Lemos Gabriel, diretora da cooperativa e coordenadora do comitê.
Quer conhecer as histórias completas de Mariana, Maria Thereza, Dona Filomena e Juliana e entender como as cooperativas mineiras estão investindo na liderança feminina? Clique aqui e leia a reportagem especial completa na Cooperação em Revista, publicação do Sistema Ocemg.
Mulheres cooperativistas mineiras em destaque na mídia
O Ano da Mulher Agricultora e o cenário da participação feminina no setor agropecuário em Minas Gerais foram tema de uma entrevista ao vivo com a gerente de Educação e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Ocemg, Andréa Sayar, ao programa Bom Dia Minas, da TV Globo, na segunda-feira (9/03).
Andréa destacou que o reconhecimento da ONU promove uma reflexão global sobre a necessidade de políticas públicas para o campo com recortes de gênero que garantam às mulheres acesso à terra e meios de trabalho, treinamento e capacitação. No cooperativismo mineiro, segundo ela, as mulheres cooperativistas recebem formação contínua em temas operacionais e de liderança.
O programa também exibiu uma entrevista com a presidente do Conselho de Administração da Expocacer, Mariana Veloso Heitor, que destacou a participação feminina na cooperativa e o crescimento do programa Elas no Café, que saltou de 13 para 135 integrantes entre 2015 e 2026.
Sistema Ocemg