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Saúde mental no trabalho: Sistema Ocemg capacita líderes sobre diretrizes da NR-01

16/03/2026

Com mais de meio milhão de afastamentos do trabalho relacionados à saúde mental em 2025, o Brasil se prepara para implantar novas regras para minimizar os impactos dessa crise sobre trabalhadores e empresas. A partir de 26 de maio, a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata das diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho, passará a incluir o gerenciamento de riscos psicossociais. Para preparar as cooperativas mineiras para esta nova realidade, o Sistema Ocemg reuniu, no dia 11 de março, 100 profissionais de RH, gestão de pessoas e segurança ocupacional para um workshop informativo sobre as novas diretrizes preventivas.

A nova regulamentação equipara situações como assédio moral, jornadas exaustivas, metas impossíveis de cumprir, tarefas repetitivas ou solitárias e falta de suporte a riscos físicos relacionados ao trabalho, como acidentes e doenças ocupacionais.

workshop combinou teoria e prática, com embasamento jurídico e estudos de caso para guiar as coops mineiras na identificação e no controle dos riscos psicossociais. Na abertura do encontro, o presidente do Sistema Ocemg, Ronaldo Scucato, relembrou sua trajetória no setor e afirmou que a atualização da norma é uma oportunidade de fortalecer a cultura organizacional das cooperativas e promover ambientes de trabalho condizentes com os princípios e valores do movimento.

“Vivemos tempos de esgotamento e precisamos cuidar das pessoas antes que elas adoeçam. O ambiente de trabalho deve refletir o valor da empatia, o esforço que fazemos para que as pessoas se sintam bem e apoiem nossos projetos. Ser cooperativista é, acima de tudo, respeitar e gostar de gente”, concluiu.

 

Apoio técnico

Para apoiar as cooperativas na transição para as novas diretrizes da NR-1, que serão implementadas de forma progressiva pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o workshop detalhou ferramentas práticas de diagnóstico da saúde organizacional. Uma delas é o programa Felicidade Interna das Cooperativas (FIC), criado pelo Sistema OCB e amplamente implementado pelo Sistema Ocemg, que utiliza indicadores reais para mensurar dimensões como padrão de vida, uso do tempo, educação, cultura, vitalidade comunitária e bem-estar psicológico.

“O levantamento permite ao Sistema Ocemg auxiliar as cooperativas na construção de planos de melhoria contínua, preparando o terreno para o cumprimento assertivo da legislação que passa a ser cobrada com rigor a partir de maio de 2026”, explicou a gerente de Educação e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Ocemg, Andréa Sayar.  “Falar de felicidade no trabalho não é algo abstrato. Trata-se de mensurar o nosso cenário e o contexto de atuação por meio de métricas tangíveis”, acrescentou.

 

Mãos à obra

Para traduzir a teoria em ações aplicáveis, a programação também contou com dinâmicas de grupo e debates técnicos mediadas pela pedagoga Érica Fonseca e pelo advogado trabalhista Rodrigo Dolabela. Com base em estudos de caso, os participantes mapearam cenários reais para traçar planos de ação focados no papel da liderança.

Durante a atividade, Érica destacou a linha tênue entre a cobrança por metas e as práticas que causam o adoecimento. “Não podemos criar um conceito romântico de que não se pode mais cobrar as pessoas. A questão é como fazer isso sem aumentar os riscos psicossociais”, pontuou a especialista, reforçando que o desafio do líder é “diferenciar pressão de opressão”.

O olhar de precaução é validado pelo aumento expressivo de diagnósticos ligados à ansiedade e ao burnout no Brasil. Segundo dados oficiais, o país registrou um aumento de 68% nos afastamentos por transtornos mentais e comportamentais nos últimos anos. Rodrigo Dolabela ressaltou que esses impactos podem desencadear doenças físicas graves, o que torna urgente a adequação do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) aos novos prazos legais da norma.

Para ilustrar o desafio, o advogado fez um paralelo com os riscos tradicionais de segurança do trabalho. “No caso de um ruído, usa-se um protetor auricular. Já no risco psicossocial, o controle está na gestão”, comparou, reforçando que o monitoramento de indicadores e a observação atenta do comportamento das equipes são as principais ferramentas de prevenção

 

Prática nas cooperativas mineiras

Profissionais participantes do workshop destacam como o conhecimento técnico será aplicado na prevenção de riscos em suas instituições:

“Vim buscar conhecimento sobre as atualizações da norma para aplicar no nosso dia a dia corporativo. A meta é reduzir riscos emocionais e físicos. Já mapeei a necessidade de implementar o canal de denúncias e as palestras preventivas para melhorar os nossos indicadores de saúde”. Eduardo Gurgel, co-coordenador da Cooperativa dos Prestadores de Serviços Autônomos de Lagoa Santa (Coopresa)

“Buscamos entender a implementação e a fiscalização da NR-01 para atualizar nossa medicina do trabalho. Já estruturamos planos de ação baseados no programa FIC, criamos um canal de denúncias e promovemos iniciativas constantes de valorização para garantir o bem-estar dos nossos profissionais”.
Sandra Melão de Abreu, analista administrativa do Sicoob Divicred

“Muitas das exigências da nova legislação já começaram a ser implantadas por nós, incluindo palestras com psicólogos. O workshop é fundamental para aprofundarmos o controle dos riscos psicossociais, garantindo um acolhimento mais humanizado e um clima organizacional que impulsione nosso crescimento”.
Fernanda Rutier, gerente clínica médica da Cooperativa de Consumo dos Servidores do DER/MG (Coopeder)

 

Como as cooperativas podem gerenciar riscos psicossociais

 

1- Mapeamento: análise de dados de absenteísmo e rotatividade;

2- Suporte: disponibilização de apoio psicológico estruturado;

3- Cultura: políticas de flexibilização e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho;

4- Liderança: treinamento de gestores para detecção precoce de esgotamento;

5- Ética: manutenção de canais de denúncia e políticas contra o assédio.

 

Ambientes saudáveis atraem colaboradores

Além do cumprimento da lei, a estruturação de espaços de trabalho seguros também é um fator de competitividade para a retenção de talentos. Dados do relatório Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026, da Wellhub, revelam um cenário alarmante: 90% dos colaboradores afirmam ter apresentado sintomas de burnout no último ano.

Essa pressão contínua tem provocado uma mudança cultural drástica, especialmente entre as gerações mais jovens. De acordo com o estudo, o bem-estar deixou de ser um benefício acessório para se tornar um critério de permanência:

  • 88% dos profissionais já valorizam o bem-estar tanto quanto o salário;
  • 86% só aceitariam propostas de empresas que priorizam o tema;
  • 91% dos colaboradores afirmam que o acesso a espaços de bem-estar melhora a capacidade de lidar com o estresse do trabalho;
  • 77% dos profissionais que possuem acesso a programas de saúde mental sentem que a empresa realmente se importa com eles;
  • 61% das pessoas com acesso a essas iniciativas avaliam sua saúde mental como “boa”, contra apenas 40% das que não têm esse suporte;
  • 85% afirmam que sairiam da organização caso o cuidado com a saúde mental fosse ignorado.

É exatamente para evitar essa fuga de profissionais que as cooperativas precisam revisar suas estratégias de gestão. Durante a abertura do evento, o presidente do Sistema Ocemg, Ronaldo Scucato, resgatou sua trajetória no setor para alertar sobre o papel decisivo da liderança.

“A liderança mal preparada tem um ‘custo invisível’: ela provoca a evasão de talentos. O mercado hoje não tem espaço para líderes ineficazes; se o clima não é bom, o profissional vai embora”, cravou o dirigente, apontando que a adequação às normas chega em um momento oportuno para frear o esgotamento e fortalecer a cultura organizacional.

 

Saiba mais sobre a NR-1

 

Norma Regulamentadora nº (NR-1) funciona como a “espinha dorsal” da segurança do trabalho no Brasil. Recentemente, sua atualização passou a exigir que as empresas olhem para além dos riscos físicos, integrando os riscos psicossociais ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).

Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO): Trata-se do sistema macro que as cooperativas devem implementar para identificar e controlar riscos. Ele é materializado pelo PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos), um documento dinâmico que agora deve listar obrigatoriamente perigos psicossociais, como jornadas exaustivas e ambientes hostis.

Capacitação e Rastreabilidade: A norma exige treinamentos periódicos para que as equipes reconheçam sinais de sobrecarga. Além disso, as empresas devem manter registros detalhados de todas as avaliações de risco e medidas de proteção adotadas, servindo como prova em eventuais fiscalizações.

Sistema Ocemg

 

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