ANTT atualiza tabela horas após regulamentação e eleva piso com base no diesel a R$ 7,35
23/03/2026
Poucas horas depois de anunciar ao país um novo modelo regulatório que muda a lógica da fiscalização do transporte de cargas, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) deu mais um passo decisivo: publicou, na noite de sexta-feira (20/03), em edição extra do Diário Oficial da União, a atualização oficial da tabela do piso mínimo do frete. A nova regra já está valendo em todo o Brasil.
A atualização foi acionada pelo chamado “gatilho” previsto em lei, mecanismo que determina a revisão da tabela sempre que há variação igual ou superior a 5% no preço do diesel. Com a média nacional fixada em R$ 7,35 por litro (ANP, semana de 15 a 21 de março), os coeficientes foram recalibrados para refletir o custo real da operação.
Na prática, isso significa uma mudança direta no bolso de quem está na estrada: o valor mínimo do frete passa a acompanhar, com mais precisão, o que o caminhoneiro efetivamente gasta para rodar.
Quanto passa a valer o frete na prática
A nova tabela atualiza os valores por quilômetro rodado (CCD) e também os custos de carga e descarga (CC), considerando tipo de carga, número de eixos e modelo de operação. Veja alguns exemplos representativos já em vigor:
Carga geral (operação padrão):
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de R$ 4,0031 a R$ 9,2466 por km, dependendo do número de eixos
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carga e descarga entre R$ 436,39 e R$ 872,44
Granel sólido:
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de R$ 4,0338 a R$ 9,2662 por km
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carga e descarga entre R$ 444,84 e R$ 877,83
Carga frigorificada ou aquecida:
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de R$ 4,7442 a R$ 10,9629 por km
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carga e descarga entre R$ 502,29 e R$ 1.030,58
Carga perigosa (granel líquido):
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de R$ 4,8611 a R$ 10,2147 por km
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carga e descarga entre R$ 610,96 e R$ 1.072,44
Carga conteinerizada:
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de R$ 5,1397 a R$ 9,1859 por km
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carga e descarga entre R$ 526,13 e R$ 855,76
Também foram atualizados os valores para operações com contratação apenas da unidade de tração e para operações de alto desempenho, com coeficientes específicos que refletem ganhos logísticos e eficiência operacional.
Essa diferenciação garante que o cálculo do frete seja justo e aderente à realidade de cada operação, do pequeno transportador ao grande operador logístico.
Atualização que chega junto com mudança estrutural
A publicação da nova tabela não é um ato isolado. Ela se conecta diretamente ao pacote regulatório apresentado pela ANTT e pelo Ministério dos Transportes no mesmo dia, que transforma a Medida Provisória nº 1.343/2026 em prática imediata no país.
A partir de agora, o frete abaixo do piso mínimo deixa de ser apenas uma infração punida depois — e passa a ser bloqueado antes mesmo de acontecer.
O CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte) se torna uma barreira tecnológica obrigatória:
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Se o valor informado estiver abaixo do piso, o sistema bloqueia automaticamente a operação.
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Sem CIOT, não há transporte regular.
Isso muda o eixo da fiscalização no Brasil. A irregularidade sai da estrada e passa a ser tratada no sistema, com rastreabilidade e controle em toda a cadeia.
Mais proteção para quem move o país
A atualização da tabela cumpre um papel essencial dentro dessa nova lógica: garantir que o piso mínimo continue sendo, de fato, um piso — e não um número desconectado da realidade.
Para o caminhoneiro autônomo, que enfrenta custos elevados e margens apertadas, essa correção representa previsibilidade, proteção de renda e mais dignidade no exercício da atividade.
Ao mesmo tempo, a medida reorganiza o mercado, reduz distorções concorrenciais e aumenta a segurança logística do país, diminuindo riscos de paralisação e desabastecimento.
Regra clara, cumprimento obrigatório
A legislação estabelece que a ANTT deve atualizar a tabela a cada seis meses ou sempre que o diesel variar mais de 5% — exatamente o cenário que motivou a revisão publicada hoje.
Mais do que cumprir a lei, a Agência antecipa movimentos e entrega resposta rápida em um momento sensível para o setor.
O resultado é um novo padrão de atuação:
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tabela atualizada em tempo real com os custos
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bloqueio preventivo de irregularidades
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fiscalização mais inteligente e integrada
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sanções efetivas para quem insiste em descumprir a regra
Para o cidadão, o impacto é direto
Quando o frete funciona de forma justa e previsível, toda a cadeia sente: o caminhoneiro é remunerado corretamente, as empresas competem em condições equilibradas e o abastecimento chega com mais segurança à mesa do brasileiro.
Porque, no fim, transporte não é apenas sobre carga. É sobre pessoas. Sobre trabalho. Sobre o país em movimento, todos os dias.
ANTT