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Sistema OCB/ES realiza 5ª edição do Encontro de Responsabilidade Social Cooperativista

13/04/2026

Aconteceu, no último dia 8 de abril, a 5ª edição do Encontro Estadual de Responsabilidade Social Cooperativista. O evento promovido pelo Sistema OCB/ES com apoio do Sebrae/ES aconteceu no cerimonial Casa Vilani e foi prestigiado por 66 pessoas de 32 cooperativas capixabas.

Ao longo do dia, os participantes acompanharam uma programação voltada ao fortalecimento da responsabilidade social no contexto do cooperativismo, com foco na inovação, na organização de iniciativas de forma estruturada e no engajamento de voluntários. A agenda contou com palestras, oficina colaborativa e um painel que apresentou um case de intercooperação.

A abertura oficial foi conduzida pelo presidente do Sistema OCB/ES, Dr. Pedro Scarpi Melhorim. Ele destacou a importância do alinhamento entre o negócio cooperativista e o impacto socioambiental e a necessidade de as cooperativas focarem na intercooperação.

“A responsabilidade social é uma das bases do cooperativismo mundial. Está no nosso DNA. Mas não podemos esquecer que cooperativa é negócio. Se não gerarmos recursos financeiros não conseguimos destinar recursos para ações de impacto social. Uma excelente maneira de potencializarmos esses recursos é por meio da promoção de ações em conjunto, por meio da intercooperação. Temos que estimular esse tipo de movimento, visando um ganho em maior escala para a população”, ressaltou.

Dia de Cooperar

Dia de Cooperar, movimento do cooperativismo brasileiro que estrutura e dá visibilidade às ações de impacto social desenvolvidas pelas coops, foi uma das pautas do encontro. A analista de Desenvolvimento Humano do Sistema OCB/ES Julia Miranda apresentou os resultados das ações do Dia de Cooperar desenvolvidas ao longo de 2025 no Espírito Santo e no Brasil.

A nível nacional foram promovidas 8.215 ações, que beneficiaram mais de 3,5 milhões de pessoas. E o estado capixaba não ficou de fora. As cooperativas capixabas também se engajaram com o Dia C ao longo de 2025.

As cooperativas capixabas realizaram 192 ações, que impactaram 101,6 mil pessoas. Para concretizar as ações, elas investiram R$ 1,7 milhão e mobilizaram 3,6 mil voluntários. As ações atenderam, em sua maior parte, aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) “Saúde e Bem-estar” e “Educação de Qualidade”.

Por sua vez, o coordenador de Desenvolvimento Humano do Sistema OCB/ES, Marcos Passos, alinhou as estratégias e as principais informações da campanha do Dia de Cooperar 2026. O gestor mencionou o mote definido para guiar as ações deste ano: “Quando a escolha é cooperar, o mundo gira melhor”. Ele ainda repassou lembretes sobre o acesso aos materiais, que estão disponíveis no site do Sistema OCB Nacional.

Passos também anunciou a segunda edição da Caminhada e Corrida da Cooperação, a celebração estadual do Dia de Cooperar. Ele mencionou que, em 2025, foram arrecadados mais de R$ 60 mil nas inscrições, valor doado para três instituições sociais. Neste ano, o objetivo é aumentar a arrecadação e o número de corredores.

Inovação sem vaidade: aprimorar o investimento social e o voluntariado

A primeira palestra do dia foi comandada pelo diretor de inovação da H&P Consultoria Socioambiental, Lucas Sardinha, que abordou o tema “Tecnologia a serviço do impacto social”. Durante a apresentação, o palestrante reforçou a importância de uma inovação sem vaidade, aplicada com propósito e voltada ao aprimoramento do investimento social e do voluntariado.

Logo no início, Sardinha lançou uma provocação ao público: “Estamos inovando ou apenas sofisticando o que não funciona para quem mais precisa?”. A reflexão serviu de alerta para os riscos de iniciativas que, embora tecnicamente avançadas, não geram valor real ou acabam excluindo públicos que deveriam ser beneficiados. Segundo ele, toda inovação precisa ser cuidadosamente planejada, especialmente no campo social, onde uma solução mal desenhada pode aprofundar desigualdades.

Para exemplificar, Sardinha citou casos em que a adoção de novas tecnologias não trouxe ganhos efetivos para nenhum dos envolvidos, caracterizando apenas uma “sofisticação digital”. Nesse contexto, o diretor destacou que inovar não significa, necessariamente, fazer algo mais complexo, mas sim mais eficaz.

Para inovar sem vaidade e com propósito, Lucas Sardinha apresentou a chamada tese de inovação, que envolve definir um foco claro, avaliar oportunidades, testar projetos-piloto, implantar e dar escala às iniciativas. Ele também chamou atenção para o cuidado com alguns simplismos no setor.

“Vocês podem pensar que, por estarem inseridos no contexto do cooperativismo, podem ter uma tese de inovação, em agregar mais pessoas. Mas será que é isso que a gente precisa? Essa pode ser uma vaidade da quantidade. Nem sempre muita gente junto é o que a gente precisa”, provocou.

Nesse sentido, ele destacou a importância de alinhar as ações ao propósito institucional e à realidade dos territórios. “Nós devemos falar sobre convergência. Não faz sentido que uma cooperativa promova uma ação que não esteja relacionada ao seu core business, ou seja, fora do seu propósito institucional. Mas, essa ação não pode ser ligada apenas à cooperativa. Ela deve ser ligada, principalmente, à realidade e aos déficits do território, visando solucionar desafios reais”, refletiu.

Por fim, Sardinha reforçou a mensuração de resultados como etapa essencial para comprovar o impacto real das ações sociais. Ele explicou que medir resultados permite distinguir “o que de fato foi causado pela intervenção do que ocorreria naturalmente ao longo do tempo” e destacou que, apesar dos desafios, a inovação metodológica e o uso inteligente de bases de dados tornam esse processo mais viável e eficiente.

O case do Comitê de Cooperativismo de Santa Maria de Jetibá

Na sequência, o painel “Redes de Intercooperação” apresentou um case exitoso de intercooperação: o Comitê de Cooperativismo de Santa Maria de Jetibá. Participaram do bate-papo o diretor da Escola Cooperação, Charles Moura; o presidente da Coopetranserrana e vice-presidente da Nater Coop, Ederson Jacob; e Camilla Lemke, representando a Prefeitura de Santa Maria de Jetibá.

Os membros do comitê contextualizaram a forte presença e impacto do cooperativismo na sociedade santa-mariense e como isso criou um ambiente propício para o surgimento do comitê. Eles relembraram que as primeiras sementes foram plantadas em 2009, com a formação de jovens das coops por meio do então Programa de Formação de Jovens Lideranças Cooperativistas (Fojolico), desenvolvido pelo Sistema OCB/ES.

“O Fojolico foi o pontapé inicial, o plantio da semente que criou um caminho propício para a constituição do Comitê de Intercooperação. O comitê foi se estruturando até começar a colher os seus primeiros frutos, por volta de 2019, onde a gente conseguiu trazer todo mundo para o mesmo cenário”, lembrou Jacob.

A partir de 2014, o grupo, que hoje é formado por nove cooperativas, passou a construir ações de forma conjunta no município. Eles deixaram de lado as ações isoladas e evoluíram para atuar de forma unificada, buscando soluções que atendessem tanto às cooperativas quanto às principais demandas do município.

Charles Moura reforçou que, por mais que a realização de iniciativas do Dia C e o foco no interesse pela comunidade sejam pilares importantes, a atuação do grupo vai além. “O comitê não perpassa apenas a responsabilidade social. Por meio da intercooperação, temos trocas de experiências que beneficiam o crescimento de todas as cooperativas. Isso também perpassa a formação e a defesa do cooperativismo dentro do nosso território”, afirma.

Na apresentação, os membros destacaram que, a partir de 2024, o grupo passou por um processo de profissionalização, ganhando escala com mais organização e a implementação de um calendário anual de ações contínuas, que não se limitam à celebração do Dia de Cooperar. Eles também explicaram como as cooperativas se organizam internamente, com coordenação definida, reuniões mensais e apoio de parceiros, como a Prefeitura de Santa Maria de Jetibá.

Camilla Lemke, representante da prefeitura, falou sobre essa parceria e destacou como o comitê ajuda o poder público a desenvolver ações que levam benefícios à comunidade.

“Nós abraçamos essa causa porque conseguimos atingir um público maior e congregar mais pessoas. Na área saúde, por exemplo, conseguimos vacinar mais pessoas por meio do Dia C, superando campanhas tradicionais. Juntos, criamos uma rede muito maior, com voluntários e muita cooperação. Essa união entre cooperativas e poder público beneficia a população”, afirmou.

Oficina colaborativa

No período da tarde, os cooperativistas participaram de uma oficina colaborativa conduzida por Giuliana Preziosi, especialista em Sustentabilidade e ESG com foco no pilar social. A ideia foi compartilhar experiências entre os profissionais para construir ações de responsabilidade social alinhadas aos ODS.

Os participantes foram divididos em nove grupos, que receberam três cases distintos. Eles foram desafiados a estruturar uma ação que atendesse a determinado ODS e fosse focada em um público específico. Ao longo da atividade, os grupos receberam cartas de desafios, simulando imprevistos, e cartas de boas notícias, que contribuíam para a construção das propostas.

O principal objetivo da oficina foi orientar os participantes a construir ações estruturadas que estejam conectadas aos desafios do território. Ela orientou que a construção fosse feita de forma organizada, com um plano de ação incluindo público-alvo, recursos humanos e financeiros disponíveis, ODS a ser atendido e imprevistos que podem ocorrer.

O poder do voluntariado: como engajar pessoas?

Daniel Morais, fundador da plataforma de voluntariado Atados, foi quem encerrou a programação do dia. No Ano Internacional dos Voluntários para o Desenvolvimento Sustentável, declara pela ONU para 2026, o palestrante falou sobre como engajar voluntários.

Ele começou instigando o público a refletir sobre o que é o voluntariado. Em seguida, colheu opiniões e introduziu o contexto do voluntariado no Brasil, mostrando que apenas 4,3% dos brasileiros fazem trabalho voluntário de forma recorrente, de acordo com levantamento do IBGE.

Diante desse cenário, Morais levantou o desafio de ampliar o engajamento de voluntários no país. “A gente não vai conseguir mobilizar pessoas sem sair do padrão de comunicação e criatividade. Estamos falando com pessoas que conhecem o que é trabalho voluntário apenas na teoria”, disse.

Com base na sua experiência, Morais falou sobre como abordar o voluntariado de outra forma e mostrar o seu ciclo virtuoso. Ele explicou que o voluntariado gera benefícios para o próprio voluntário, como o desenvolvimento de habilidades e competências; o aprendizado em gestão de projetos e coordenação de pessoas; e a oportunidade de exercitar liderança.

Por outro lado, as organizações também se beneficiam. Para Morais, especialmente no contexto das cooperativas, investir em voluntariado está ligado à essência do negócio. “Quando colaboradores de uma organização fazem voluntariado, eles tendem a ser mais atentos e engajados e a integrar grupos de inovação”, completou.

Por fim, ele reforçou que, caso esse ciclo virtuoso não seja amplamente divulgado, o país tende a permanecer com baixos índices de engajamento. “É fundamental comunicar o valor do voluntariado e sua conexão com o negócio e com o propósito das organizações”, frisou.

Sistema OCB/ES

 

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