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Cooperativas de transporte avançam como alternativa à crise do setor

07/05/2026

Mais de 60% de tudo que é transportado no Brasil passa por rodovias, um trabalho realizado, em grande parte, por pequenos operadores. Nesse cenário, as 752 cooperativas de transporte em atividade no país têm ampliado sua atuação ao oferecer organização, escala e melhores condições de trabalho para motoristas autônomos e microempreendedores. 

Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) indicam a existência de quase 1 milhão de transportadores autônomos e mais de 270 mil pequenas empresas no setor – um mercado ainda fragmentado e com forte presença de intermediários. Para o coordenador nacional do Conselho Consultivo do Ramo Transporte do Sistema OCB e presidente da Confederação Nacional das Cooperativas de Transporte de Passageiros e Cargas (CNTCoop), Evaldo Moreira Matos, esse contexto abre espaço para o avanço do cooperativismo.

“As cooperativas de transporte têm muito potencial de crescimento. Ao fortalecer sua identidade, investir em profissionalização e fortalecer a gestão, o setor pode ganhar competitividade e atrair um mercado que hoje ainda é dominado por atravessadores”, destaca.

Cooperação e resultados 

Seja no transporte de cargas ou passageiros, em moto, táxi, van, ônibus ou caminhão, o cooperativismo é um bom negócio para o transportador, ao oferecer melhores condições de trabalho e oportunidades. Elas reúnem 114.878 cooperados e geram 5.774 empregos. Um dos diferenciais, segundo Matos, é a qualidade da frota. Hoje, as cooperativas operam com veículos com média de 7 a 8 anos, bem abaixo do patamar nacional, que supera duas décadas – o que contribui para mais segurança e eficiência. 

Ao mesmo tempo, o cooperativismo também tem respostas para desafios estruturais do setor. O  crescimento acelerado do e-commerce nos últimos anos foi acompanhado de uma redução da mão de obra transportadora, com menos 20% de profissionais em uma década, segundo análise da consultoria Ilos com base em dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), o que levou a um descompasso no segmento. Diante desse cenário, as cooperativas de transporte se apresentam como alternativa para reduzir a precarização e manter profissionais no mercado. A organização coletiva facilita o acesso a crédito, melhora as condições de negociação e amplia a previsibilidade de trabalho – fatores que contribuem para a permanência dos transportadores na atividade.

“Esse é o momento para que o cooperativismo de transporte se sobressaia. Estamos em um cenário de crise, em que o transportador autônomo não tem acesso a crédito e não tem perspectivas de melhoria. O cooperativismo é a bandeira que temos que levantar agora para a organização desses profissionais”, analisa Matos. 

Além da valorização dos cooperados, que são donos do negócios, as cooperativas de transporte também atuam de forma coordenada em iniciativas como compras coletivas de seguros, pneus e combustíveis, que têm gerado ganhos de escala e redução de custos operacionais. Este ano, segundo Matos, outro projeto com base na atuação conjunta do setor está em andamento: a criação de uma plataforma nacional de fretes para conectar cooperativas e reduzir o quilômetro vazio (quando os caminhões retornam sem carga). 

“Com mais de duas décadas de atuação, o Ramo Transporte tem acompanhado as transformações e os desafios do setor no Brasil e atua, por meio da escuta da base e do diálogo institucional, para fortalecer os cooperados diante de mudanças regulatórias, tecnológicas e de mercado”, analisa a gerente-geral do Sistema OCB, Clara Maffia. 

Atuação em rede 

Segundo Evaldo Matos, uma das chaves para o crescimento do transporte cooperativo está no sexto princípio do movimento: a intercooperação. Atualmente, 51% das cooperativas de transporte fazem negócios com cooperativas financeiras; 17% utilizam serviços e planos de cooperativas de saúde e 6% adquirem produtos ou serviços de cooperativas de trabalho, segundo dados do AnuárioCoop 2025

Esse potencial de articulação ainda pode avançar. Como exemplo, o coordenador cita um projeto desenvolvido entre a Coopmetro – da qual é diretor –,  Aurora Coop e Sicoob. “Renovamos uma frota inteira para profissionais que não tinham acesso a crédito. O Sicoob ofereceu o recurso, a Aurora garantiu o serviço, e a Coopmetro viabilizou a compra dos veículos. Depois disso, vieram outras parcerias e já ultrapassamos 300 caminhões adquiridos nesse formato”, conta.

 

Sustentabilidade 

A agenda ambiental também está entre as prioridades do ramo. Em diferentes frentes de atuação, as cooperativas de transporte têm investido na renovação de frota, no uso de combustíveis menos poluentes e em soluções de eficiência energética. Em alguns casos, já há iniciativas de geração própria de energia, como usinas fotovoltaicas, que reduzem custos e impactos ambientais.

“O Sistema OCB oferece soluções para apoiar as cooperativas na elaboração de inventários de emissões de gases de efeito estufa, preparando o setor para reduzir seu impacto climático e atender às novas exigências do mercado regulado de carbono, que devem entrar em vigor em 2028”, explica Clara Maffia.


Sistema OCB

 

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