Cooperativas impulsionam trabalho, renda e oportunidades no Brasil
19/05/2026
O taxista Alan Câmara não lembra exatamente o dia em que se apaixonou pelo trabalho, mas sabe bem onde isso aconteceu: dentro de uma cooperativa. Tudo começou em 1997, logo após tirar a carteira de motorista, quando o pai, com quem divide a mesma profissão, o levou para a cooperativa Táxi União, de São Luís (MA). Assim como outros milhões de brasileiros, ele encontrou no cooperativismo uma forma de trabalhar com dignidade, garantir renda justa e crescer ao lado de pessoas que compartilham os mesmos valores.
Ao longo de quase 30 anos, Câmara trabalhou em outras áreas, mas sempre voltava ao táxi. Formado em educação física, por um tempo se dividia entre as aulas e as viagens com passageiros, mas no momento em que o setor passou por seu maior desafio – com a chegada dos aplicativos de transporte – fez sua escolha definitiva. Nessa época, decidiu se dedicar à gestão cooperativista e fortalecer a Táxi União para apoiar outros motoristas como ele a se manter no mercado de trabalho.
“A chegada dos aplicativos não teve tanto impacto na nossa cooperativa e a explicação está na essência do modelo do cooperativismo. A categoria de motorista tem um piso salarial muito abaixo e aqui a gente tem liberdade de empreender. De certa forma, o cooperativismo promove uma justiça social”, avalia o hoje diretor da Táxi União.
A cooperativa, que antes atendia apenas passageiros avulsos, passou a fechar contratos com empresas, garantindo renda estável para os cooperados e gerando oportunidades para novos profissionais. “O coop abre portas para pessoas que, muitas vezes, não enxergavam possibilidade nenhuma de trabalho, mostra um novo caminho”.
O gestor também fala com orgulho das famílias que cresceram junto com a Táxi União, de pais que transmitiram o ofício aos filhos e de profissionais que encontraram ali estabilidade em meio às incertezas do setor. “O cooperativismo é um porto seguro. Mesmo quem tem outra formação ou já tentou outros caminhos acaba voltando, porque aqui encontra segurança e perspectiva”, afirma.
Valorização profissional
Essa sensação de segurança e pertencimento não é exclusiva da cooperativa maranhense de transporte. No Rio de Janeiro, a especialista em Gestão de Projetos em TI Daiane Alves, diretora-presidente da cooperativa LibreCode, viveu algo semelhante ao ver profissionais qualificados, antes invisibilizados pelo mercado tradicional, recuperarem a dignidade no trabalho cooperativo. Na cooperativa digital de tecnologia da informação, ela conta que a relação entre os cooperados é construída no dia a dia, com proximidade, transparência e corresponsabilidade.
“A gente não enxerga pessoas como recursos, mas como parte da construção da cooperativa. Os cooperados têm voz, participam das estratégias e compartilham não só os resultados, mas também as responsabilidades”, explica.
Para Daiane, estar e trabalhar no cooperativismo é assumir o protagonismo da própria trajetória. “É um modelo onde sua voz é ouvida, onde as decisões são construídas coletivamente e onde o resultado não pertence a uma estrutura distante, mas às pessoas que constroem o dia a dia da organização”, afirma.
Além do ambiente de trabalho colaborativo e da gestão democrática, a gestora também destaca outro diferencial das cooperativas: o cuidado com as pessoas, principalmente em momentos de adversidade. Daiane recorda quando a LibreCode se mobilizou para apoiar um cooperado que perdeu tudo durante as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024. A resposta não foi apenas operacional, mas uma mobilização coletiva para ajudar alguém a reconstruir a vida.
“O cooperativismo não se limita ao trabalho. Ele é uma rede de cuidado e responsabilidade compartilhada. Quando me lembro dessa experiência, fica claro que a transformação vem da forma como as pessoas se reerguem, se reconhecem e caminham juntas”.
Trabalho cooperativo
As histórias de Alan e Daiane fazem parte de um movimento bem maior. As cooperativas brasileiras reúnem 25,8 milhões de cooperados, com muitas histórias de motoristas, analistas de sistemas, produtores rurais, professores, médicos e outros profissionais que se juntaram para empreender coletivamente e trabalhar com mais segurança e perspectivas.
Além disso, o setor emprega 578.035 pessoas em todo o país, segundo dados do AnuárioCoop 2025, número que vem crescendo de forma sustentada ao longo dos anos. “O cooperativismo é um modelo de negócios que demonstra constante capacidade de geração de empregos no Brasil, contribuindo de forma expressiva para a economia e o desenvolvimento social. Em um cenário de constantes desafios econômicos e mudanças no mercado de trabalho, as cooperativas têm se destacado por sua resiliência e capacidade de criar oportunidades de trabalho nos seus diversos ramos”, avalia a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella.
Sistema OCB