Artigo do Sistema OCB é publicado em referência mundial do cooperativismo
26/05/2026
Uma pesquisa desenvolvida por analistas do Sistema OCB e publicada na quinta-feira (21) em uma das mais importantes revistas científicas internacionais sobre cooperativismo trouxe novas evidências sobre a força e a sustentabilidade do modelo cooperativista no setor de saúde suplementar brasileiro. O estudo aponta que cooperativas médicas apresentam menor risco de insolvência quando comparadas a outros modelos organizacionais do setor.
O artigo, intitulado Beyond profit maximization: The effect of cooperative governance on insolvency risk in the Brazilian supplementary healthcare industry (Além da maximização do lucro: o efeito da governança cooperativa sobre o risco de insolvência no setor brasileiro de saúde suplementar), foi publicado no Annals of Public and Cooperative Economics, periódico científico editado pela Wiley e reconhecido internacionalmente como uma das principais referências em economia cooperativa. Em circulação desde 1908, a revista reúne pesquisas voltadas ao desenvolvimento econômico sustentável, governança e modelos cooperativistas em diferentes países.
A pesquisa teve autoria principal do analista do Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB, Thiago Victorino, com coautoria dos analistas Arthur Nery e Rodrigo Rangel. O estudo surgiu de uma inquietação comum entre os pesquisadores: a ausência de trabalhos voltados especificamente às cooperativas quando o assunto é previsão de insolvência. A maior parte da literatura internacional sobre o tema concentra-se em empresas tradicionais com fins lucrativos, sem considerar as características próprias das cooperativas.
A partir dessa lacuna, os pesquisadores desenvolveram um modelo de análise aplicado ao mercado brasileiro de saúde suplementar, incluindo tanto operadoras privadas quanto cooperativas médicas. O objetivo era entender se a estrutura cooperativista influencia a resiliência financeira das organizações, e os resultados apontaram que sim.
Eficiência operacional
De acordo com o estudo, cooperativas apresentaram probabilidade de insolvência cerca de 4,8 pontos percentuais menor do que empresas não cooperativas. A pesquisa também identificou que essas organizações seguem uma lógica de gestão diferente das voltadas exclusivamente ao lucro de curto prazo.
Enquanto empresas tradicionais tendem a sofrer maior pressão de indicadores ligados à rentabilidade imediata, nas cooperativas a sustentabilidade financeira aparece mais conectada à eficiência operacional, à gestão responsável e à capacidade de gerar valor aos cooperados. O estudo aponta ainda que objetivos sociais e solidez financeira são conceitos que podem atuar juntos no fortalecimento das organizações.
Outro aspecto destacado pelos pesquisadores é que o modelo cooperativista contribui para reduzir riscos. A lógica de gestão compartilhada, o compromisso de longo prazo com os cooperados e os mecanismos de apoio entre cooperativas ajudam a criar estruturas mais resilientes diante de cenários econômicos desafiadores.
“Publicar um artigo em uma revista científica tão relevante para o cooperativismo mundial mostra que o Sistema OCB também contribui para a produção de conhecimento de alcance internacional. É um trabalho que fortalece o posicionamento do cooperativismo brasileiro não apenas como modelo econômico, mas também como referência em pesquisa e inovação”, afirmou o gerente do Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB, Guilherme Costa. Segundo ele, os resultados ajudam a ampliar a compreensão sobre o impacto do modelo cooperativista na sustentabilidade das organizações.
Além da contribuição acadêmica, o estudo possui potencial de aplicação prática para o setor de saúde suplementar. Os resultados podem apoiar análises de risco, estratégias de gestão e discussões regulatórias envolvendo cooperativas médicas e operadoras de saúde, inclusive em órgãos como a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Sistema OCB