Liderança feminina ganha espaço na agenda global do cooperativismo
08/06/2026
Nesta quarta-feira (3), o Sistema OCB participou do primeiro Webinário Brasil–ASEAN sobre igualdade de gênero e empoderamento feminino através do cooperativismo no setor agrícola, realizado em parceria com o Ministério das Relações Exteriores. O evento reuniu representantes de governos, cooperativas e organizações internacionais do Brasil e dos dez países que integram a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), para um intercâmbio sobre o papel do cooperativismo no fortalecimento da liderança feminina e no desenvolvimento rural sustentável.
A iniciativa se insere em um contexto diplomático relevante: o Brasil é o único país da América Latina com o status de parceiro de diálogo setorial daAsean, uma relação estratégica que busca estreitar laços políticos, ampliar o intercâmbio comercial e abrir novas frentes de cooperação técnica. O webinário foi a primeira etapa dessa parceria. A segunda está prevista para setembro, quando uma comitiva de mulheres representantes dos países da associação virá ao Brasil para realizar visitas técnicas em cooperativas com destaque na liderança feminina.
O retrato e o desafio
A gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, Débora Ingrisano, foi a responsável por apresentar o panorama do cooperativismo brasileiro sob a perspectiva de gênero. Ela abriu sua fala com um dado que sintetiza bem a contradição que o setor precisa enfrentar: das quase 26 milhões de pessoas associadas a cooperativas no Brasil, 42% são mulheres. Entre os trabalhadores empregados nas cooperativas, essa proporção sobe para 52%. Mas quando o recorte é o de cargos de liderança e governança, o número cai para 22%.
"Ainda temos muito a crescer. E estamos preocupados porque esse crescimento tem sido lento — nossos dados mais recentes mostraram que esse número diminuiu", disse Débora. Ela contextualizou o problema também em um cenário mais amplo do mercado corporativo brasileiro: das 400 empresas listadas na bolsa de valores do país, apenas três tem mulheres como presidentes.
Atuação do coop
Além do diagnóstico, Débora apresentou as iniciativas que o Sistema OCB vem desenvolvendo para reverter esse quadro. Um dos pontos de partida foi o planejamento estratégico de 2024, quando mais de 3 mil líderes cooperativistas se reuniram para definir as diretrizes do movimento para os próximos anos. Das 25 diretrizes aprovadas, cinco — 20% do total — tratam diretamente de mulheres: liderança feminina, governança e programas sociais com foco de gênero.
Entre as iniciativas práticas, ela destacou o programa ESGCoop, voltado ao desenvolvimento sustentável das cooperativas e que entre diversas soluções Ambientais, Sociais e de Governança, busca priorizar as relacionadas à Igualdade de Gênero por meio, por exemplo, do Projeto Inclusão, Diversidade e Equidade, do Futuras Lideranças, e do Comitê Elas Pelo Coop, eúne representantes na maioria dos estados brasileiros e oferece formação, visibilidade e acesso a espaços de fala.
Quando o assunto é o empoderamento feminino, ela falou do Programa NegóciosCoop, que começa com um diagnóstico comercial e segue com consultorias e capacitações por um ano, para que as cooperativas da agricultura familiar possam prosperar economicamente com visão fortalecida de negócios. E as mulheres tem estado a frente da aplicação desse Programa nessas cooperativas.
A lógica por trás do esforço
Débora foi direta ao explicar por que ampliar a presença de mulheres na liderança cooperativista é uma questão de justiça, mas também de resultados. “Pesquisas mostram que empresas com maior diversidade de gênero na gestão são mais lucrativas e inovadoras, e as cooperativas não são exceção. "Quando uma mulher chega lá, outras mulheres a seguem", resumiu ela.
A gerente também ressaltou que o Sistema OCB trabalha esse tema de forma integrada: da formação de lideranças à inclusão da pauta nos relatórios de sustentabilidade, passando pelo diálogo com presidentes e conselheiros sobre a importância estratégica da diversidade.
Próximos passos
A segunda parte do webinário está prevista para o dia 9 de junho, com depoimentos de mulheres à frente de cooperativas no Brasil. O encontro virtual vai preparar o terreno para a visita técnica de setembro, quando as representantes da Asean poderão conhecer na prática como o cooperativismo brasileiro tem trabalhado o protagonismo feminino, do campo à gestão.
Sistema OCB