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Cooperativismo em transformação: inovação, IA e pessoas no centro da estratégia

16/06/2026

As cooperativas mineiras estão em franca expansão, mas para manter a rota de crescimento histórico apresentada durante o lançamento do Anuário do Cooperativismo Mineiro 2026 precisam entender que o mercado global está cada vez mais volátil, incerto, competitivo e ágil. E quem continuar oferecendo o básico para o consumidor, vai acabar perdendo espaço. “O futuro do cooperativismo não está em ter mais cooperados nem em ser maior em movimentação financeira. Está em entregar o que nenhuma alternativa entrega ao cooperado”, afirmou Maurício Schneider, empresário, investidor e especialista em inovação, convidado a palestrar no evento.

CEO da StarSe Agro e cofundador da Solubio — uma das principais biotechs do agronegócio brasileiro —, Schneider convidou o cooperativismo mineiro a refletir sobre os fatores que irão sustentar a competitividade de qualquer negócio nos próximos anos. Para ele, o único caminho possível é a “descomoditização”, ou seja, a transformação de um produto ou serviço básico e padronizado (commodity) em um bem altamente diferenciado e com valor agregado para o cooperado e para o consumidor.

Para Schneider, o principal diferencial do cooperativismo está em atributos que dificilmente podem ser replicados pelo mercado tradicional, como relacionamento próximo, confiança, senso de pertencimento e construção coletiva.

 

Pessoas são ativos

Em meio aos debates sobre inovação, transformação digital e inteligência artificial, Schneider chamou a atenção para um aspecto que considera decisivo para o futuro das organizações, o desenvolvimento das pessoas.

Ele destacou que o cooperativismo já possui uma base humana robusta, formada por dirigentes, colaboradores e cooperados qualificados. O que falta, segundo ele, é direcionar esse potencial para uma cultura permanente de aprendizado e inovação. “Precisamos criar uma força de trabalho à prova de futuro. Uma força de trabalho que aprende através da tecnologia”, destaca.

A reflexão surge em um momento em que profissões, funções e modelos de trabalho passam por transformações aceleradas. Para o palestrante, as organizações que conseguirem desenvolver pessoas capazes de pensar, aprender e resolver problemas continuamente estarão mais preparadas para enfrentar os desafios que vêm pela frente.

 

Inteligência artificial é imprescindível

Ao falar sobre inteligência artificial, o especialista destacou que a tecnologia não pertence mais ao campo das projeções futuras, mas já faz parte da realidade de empresas e cooperativas. “A inteligência artificial é o novo letramento. Quem não dominar essa tecnologia vai virar uma  commodity humana e correrá o risco de perder a empregabilidade. Já a cooperativa que não absorver a IA se transformará em commodity organizacional”, destaca Schneider.

O CEO da Startse Agro apresentou, ainda, exemplos de ferramentas que utilizam inteligência artificial para automatizar processos, apoiar decisões e tornar a experiência do cooperado mais simples e eficiente. “O cooperado quer dar comandos, não clicar em menus”, resumiu.

 

Cooperar para inovar

Ao longo da apresentação, ficou evidente que a transformação proposta não depende apenas das cooperativas. Ela exige articulação entre cooperativismo, setor público, universidades, empresas de tecnologia, entidades representativas e sociedade civil. A inovação deixa de estar restrita ao campo tecnológico e passa a assumir um papel estratégico na construção de soluções capazes de promover desenvolvimento econômico, sustentabilidade e qualidade de vida.

Ao apresentar exemplos práticos, Schneider destacou que o uso inteligente de dados pode ajudar cooperados a reduzir custos e aumentar a produtividade, melhorar a experiência dos beneficiários na saúde, ampliar o acesso ao crédito e tornar as operações de transporte mais eficientes. Apesar das diferentes aplicações, o objetivo permanece o mesmo, gerar valor real para as pessoas. Para o especialista, é justamente por isso que o atual momento de crescimento do cooperativismo deve ser encarado como uma oportunidade para preparar o futuro.

“O cooperativismo mineiro vive um dos melhores momentos de sua história, mas é justamente quando os resultados são positivos que surge a oportunidade de preparar o próximo ciclo. Vocês estão no ponto ótimo e este é o momento de pensar o próximo nível do cooperativismo”, afirmou. Ao encerrar sua palestra, Schneider deixou uma reflexão que sintetizou a mensagem central da palestra: mais importante do que projetar onde o cooperativismo estará nos próximos dez anos é definir quais decisões serão tomadas agora para construir esse futuro.

Sistema Ocemg

 

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