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Pequenas empresas seguem investindo mesmo com inadimplência em alta

26/06/2026

A inadimplência entre as empresas brasileiras voltou a crescer em 2026 e já atinge cerca de 9 milhões de CNPJs negativados, segundo levantamento da Serasa Experian. O cenário reflete os desafios enfrentados pelos empreendedores diante do aumento dos custos operacionais, da pressão sobre as margens de lucro e do crédito mais caro. Ainda assim, muitas micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) continuam investindo para manter a competitividade e sustentar o crescimento dos negócios.

Conforme dados do Banco Central e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) de 2026 indicam que a carteira de crédito destinada às MPMEs segue em expansão no país, com crescimento anual entre 6% e 7%, impulsionado principalmente por linhas direcionadas, como o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe).

Para o assessor de Segmentos da Sicredi Vanguarda PR/SP/RJ, Giovane dos Santos, o momento exige uma gestão financeira cada vez mais estratégica. “Algumas empresas continuam faturando, mas enfrentam dificuldades para transformar esse faturamento em resultado. O aumento dos custos com fornecedores, energia, matéria-prima e outras despesas operacionais têm pressionado as finanças dos negócios. Nesse contexto, o controle financeiro e o uso consciente do crédito se tornam fundamentais”, afirma.

 

O que fragiliza a saúde dos negócios?

Entre os principais desafios enfrentados pelas micro e pequenas empresas está o descompasso entre recebimentos e pagamentos. “Enquanto parte das vendas é realizada a prazo, muitos compromissos financeiros precisam ser quitados à vista, exigindo maior planejamento do capital de giro”, explica Giovane.

Além disso, erros de gestão continuam entre as principais causas de dificuldades financeiras. Um dos mais comuns é a mistura das finanças pessoais com as da empresa. “Muitos empreendedores utilizam recursos da empresa para despesas particulares ou fazem o contrário. Essa prática compromete a visão real da situação financeira do negócio e pode gerar problemas de gestão no médio e longo prazo”, destaca.

Outros fatores recorrentes incluem a falta de controle sobre entradas e saídas de caixa, a precificação inadequada de produtos e serviços, custos fixos incompatíveis com a realidade da operação e a ausência de uma reserva financeira para enfrentar períodos de menor faturamento.

 

Estratégias para manter o caixa saudável

Diante desse cenário, especialistas apontam que o crédito continua sendo uma ferramenta importante para o desenvolvimento das empresas, desde que utilizado de forma planejada. Antes de contratar uma linha de financiamento, é fundamental definir claramente a finalidade do recurso, avaliar a capacidade de pagamento e analisar o retorno esperado do investimento. “O crédito deve contribuir para o crescimento do negócio. O ideal é que os recursos sejam direcionados para ações que aumentem a produtividade, gerem novas receitas ou tragam ganhos de eficiência para a empresa”, afirma Santos.

Para preservar a saúde financeira em um ambiente de juros elevados, muitos empresários também têm investido na revisão de processos, na redução de desperdícios e na busca por novas oportunidades de receita. “A adoção de práticas de controle financeiro e a busca por novos canais de venda, especialmente digitais, estão entre as estratégias mais utilizadas para aumentar a rentabilidade e fortalecer os negócios”, finaliza.

Assessoria de Imprensa

 

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