"Cooperativismo une, dá escala e gera renda", afirma Enio Bergoli na Feira Agro Nater Coop
02/07/2026
O cooperativismo muda o jogo do agro ao permitir que produtores ganhem escala, ampliem poder de negociação e acessem mercados com mais competitividade. A avaliação é do secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, que participou nesta quinta-feira (2) da Feira Agro Nater Coop 2026, em Nova Venécia. O evento reúne produtores rurais, cooperados, empresas e especialistas em uma programação voltada à inovação, aos negócios e à difusão de conhecimento para o agronegócio capixaba.
Ao comentar o papel das cooperativas no campo, Bergoli afirmou que a organização coletiva tem efeito direto sobre a renda dos produtores, especialmente os de menor porte. “O cooperativismo une, dá dimensão, dá escala e gera renda, especialmente para aqueles produtores de menor porte”, disse.
Segundo o secretário, a diferença aparece tanto na compra de insumos quanto na comercialização da produção. Um pequeno agricultor, isoladamente, tem menor poder de negociação ao adquirir fertilizantes, doses de sêmen para inseminação do rebanho ou outros produtos necessários à atividade. Quando está cooperado, passa a ser representado por uma estrutura maior, com capacidade de negociar melhores condições.
Bergoli citou a Nater Coop como exemplo desse ganho de escala. A cooperativa tem mais de 25 mil cooperados e, de acordo com o secretário, consegue negociar volumes maiores para repassar melhores condições aos associados. “Quando ela faz uma compra de insumos, consegue negociar um bom preço para repassar aos seus cooperados. Isso não vale somente na aquisição, vale também para a venda dos produtos produzidos por esses produtores”, afirmou.
A Feira Agro Nater Coop começou nesta quinta-feira no Parque de Exposições de Nova Venécia e chega à sétima edição consolidada como uma das principais vitrines do setor no Espírito Santo. A programação reúne exposição de marcas, palestras técnicas, oportunidades de negócios, atrações culturais, praça de alimentação, área kids e espaços de convivência para produtores, famílias e visitantes.
Para Bergoli, eventos ligados ao cooperativismo já ultrapassam a dimensão regional e passam a ter peso na agenda nacional do agronegócio. Durante a abertura, o secretário também falou sobre as parcerias entre o Governo do Estado e o cooperativismo. Ele destacou a publicação, nesta quinta-feira, de um Termo de Fomento permite cooperação financeira direta com o setor privado por meio de recursos públicos.
Na avaliação de Bergoli, a medida abre caminho para ampliar a atuação conjunta entre governo e cooperativas. “Nós conseguimos vencer a burocracia pública e agora encontramos segurança na lei para fazer cooperação financeira direta com recursos públicos com o cooperativismo. Hoje foi publicado no Diário Oficial. Isso abre uma perspectiva ainda maior para potencializar as parcerias do Governo do Estado com o cooperativismo”, afirmou.
Bergoli afirmou também que o cooperativismo deve avançar em diferentes ramos da economia, como crédito, saúde e transporte. No caso do agro, ele ressaltou que a logística também depende de estruturas coletivas mais fortes, especialmente em cadeias que precisam competir por mercado, escala e eficiência.
“O cooperativismo é de todos. No cooperativismo de crédito, por exemplo, as sobras são distribuídas aos cooperados. Se fosse outra instituição, o lucro iria para outro centro financeiro. No cooperativismo, ele volta para quem participa”, disse.
Apesar dos avanços, o secretário apontou desafios para cooperativas menores, principalmente no setor de leite. Segundo ele, o Espírito Santo tem exemplos de boa gestão em cooperativas maiores, mas ainda precisa fortalecer estruturas de menor porte e ampliar a intercooperação.
Bergoli citou o sul do estado, onde diferentes cooperativas e laticínios atuam em uma mesma bacia leiteira. Para ele, a união entre organizações poderia aumentar a capacidade de competição e melhorar o posicionamento dos produtores.
“Quando você une essas cooperativas, cria uma dimensão maior para competir com outros laticínios que estão instalados na região ou fora do estado”, afirmou.
A programação técnica da Feira Agro Nater Coop começou nesta quinta-feira, às 15h, com a palestra “Reforma Tributária: impactos para o produtor rural”, ministrada por Patrícia Ferreira Negris, da Dickel Consultoria. Na sexta-feira (3), às 10h, Willian Bucker, da Ufes, e Ronaldo Sakai, da Syngenta, apresentam a palestra “Vaniva: transformando o manejo da fusariose no café”. Às 15h, Fernando Maximiliano, da Stonex, aborda o tema “Mercado do café: o que está movendo os preços?”.
Fernanda Zandonadi - Conexão Safra