Igualdade, solidariedade, democracia e participação formam o alicerce de uma cooperativa. As engrenagens são a ação conjunta e ajuda mútua na busca de um resultado útil e esperado por todos. Mais que um sistema econômico, o cooperativismo se propõe a fazer uma reforma social dentro do capitalismo. Com a união de gente com objetivos comuns, é possível produzir mais, colher os frutos esperados e distribuir melhor os resultados.
Vale a reflexão no Ano Internacional das Cooperativas, comemorado em 2012, com o apoio da ONU – Organização das Nações Unidas.
O conceito vale para toda e qualquer atividade, mas vou me concentrar nas cooperativas agrícolas. Só para falar o básico, dá para comprar insumos pagando menos, compartilhar experiências e conhecimentos para aperfeiçoar os métodos de plantio, aumentar a produtividade e escoar a produção com mais agilidade, menos perdas e melhores ganhos.
Quando falo em cooperativa agrícola, me refiro a todas as atividades ligadas à agricultura. Não somente o cultivo, transporte e comercialização, mas todo o agronegócio. Em especial, de verduras, legumes, frutas, tubérculos, bulbos, aves, ovos, flores e plantas ornamentais. O cooperativismo é a alavanca capaz de igualar os pequenos aos grandes.
A modernização é uma ordem mundial para as atividades econômicas. Quem não segue, acaba fora do mercado. Para conseguir melhores resultados, o agricultor teve de evoluir para empresário rural. Precisava ultrapassar os limites da sua porteira, entender e melhorar o que acontece depois dela.
Nesse processo de desenvolvimento, veio a percepção de que era necessário agregar valor aos produtos. Assim, surgiram as hortaliças higienizadas, processadas e embaladas, entre outras transformações pensadas para responder aos anseios do consumidor, com a vantagem de poder cobrar um preço melhor.
Muitos pequenos produtores não conseguiram acompanhar o desenvolvimento da agricultura que deu origem ao agronegócio. Ficaram isolados, cada um por si. Resultado: surgiram grandes empresas que, por exemplo, só higienizam e embalam hortaliças. O agricultor arca com o plantio, o transporte e todos os riscos, mas não ganha mais por isto.
Aí está mais uma amostra do que a união numa cooperativa poderia fazer em benefício dos pequenos produtores. As etapas de higienização, embalagem e até processamento das hortaliças poderiam ser realizados pelos próprios cooperados. Juntos, teriam condições de agregar valor a seus produtos e, com certeza, todos ganhariam mais.
No mundo globalizado, os pequenos serão esmagados pelos grandes, se não tiverem o amparo de uma cooperativa forte. O raciocínio é simples. São vários produtores de pequeno e médio portes unidos para se igualarem aos grandes. Quanto mais cooperados, maior o poder para enfrentar a concorrência. É assim que se igualam as oportunidades no mercado.
Informações, métodos, todo o conhecimento para constituir e administrar uma cooperativa são de fácil acesso graças à atuação exemplar do Sistema Ocesp. É uma megaestrutura que atua em conjunto com a OCB – Organização das Cooperativas do Brasil e inclui uma instituição direcionada à qualificação profissional e aperfeiçoamento da autogestão das cooperativas – o Sescoop/SP.
Já era grande admirador do cooperativismo. Presidia a Cooperativa Rural de Telecomunicações de Mogi das Cruzes. Havia implantado telefonia rural em quatro municípios, por meio de sistema cooperativado, pioneiro no Brasil.
Num encontro realizado na Ocesp – que ainda funcionava na Avenida Ipiranga –, fiquei maravilhado com as explicações do saudoso Antonio Rodrigues Filho. Ele era o presidente da Organização e fã ardoroso do sistema. Fez mais: transmitiu ao filho Roberto Rodrigues a preciosa herança de conhecimento e paixão pelo cooperativismo.
Como humilde aprendiz, tive a grata chance de receber valiosas lições dos Rodrigues – pai e filho. Certamente, também acolhi a paixão pelo cooperativismo. Para mim, a vida é a escola do eterno aprendizado. E me orgulho de querer aprender sempre.
Junji Abe é deputado federal (PSD-SP), presidente da Pró-Horti – Frente Parlamentar Mista em Defesa do Segmento de Hortifrutiflorigranjeiros e diretor sindical da Frencoop – Frente Parlamentar do Cooperativismo