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Sindicato dos Médicos apóa a criação de Cooperativas de Trabalho em Alagoas

10/03/2010

'A morte se tornou banal no HGE', diz presidente do Sindicato dos Médicos

Mais uma vez o Sindicato dos Médicos (Sinmed) volta a denunciar a situação calamitosa em que vive a saúde pública. Nesta manhã de terça-feira (09), representantes do Simmed concederam uma entrevista coletiva para relatar as condições de funcionamento e de trabalho médico das emergências e urgências em Alagoas.

O presidente do sindicato, Wellington Galvão, afirmou que no último ano a situação piorou. Médicos intensivistas estão pedindo demissão. “A UTI [Unidade de Terapia Intensiva] está sem médico. A situação chegou ao extremo com a falta de intensivistas. A situação é pior na Unidade de Emergência do Agreste e no Hospital Geral do Estado [HGE]. Muitos médicos estão saindo do serviço público e indo para a iniciativa privada e para estados vizinhos que pagam bem melhor. Eles não aceitam trabalhar para o estado diante do que está sendo oferecido. Só fica quem está se aposentando”.

E não são apenas os intensivistas que estão insatisfeitos, na semana passada, um grupo de ortopedistas pediu demissão coletiva e, segundo o sindicato, devem formar uma cooperativa. “Somos contra o trabalho de cooperativa no serviço público. Mas chegou-se a uma situação em que os médicos não aguentam mais. Os neurocirurgiões, por exemplo, agora que estão com a cooperativa, estão tendo um salário digno”, disse.

Galvão criticou o governo afirmando que as propagandas são enganosas, pois não condizem com a realidade. “De que adianta comprar 40 ambulâncias se não tem médico? A morte se tornou banal. O governo só está fazendo propaganda enganosa. A UTI neonatal, por exemplo, não funciona nos fins de semana, nem nos feriados. A situação é de calamidade. Tem gente que prefere morrer sem socorro a ir para o HGE”.

Aparelhos quebrados
O sindicato também denunciou a dificuldade de se realizar alguns procedimentos por falta de instrumentos. “Equipamentos vivem constantemente quebrados. Não existe plano de manutenção. O HGE ficou há mais de 3 meses sem realizar endoscopia digestiva porque o aparelho estava quebrado. Um dia desses, não houve cirurgias porque não tinha roupa adequada para os médicos. A lavanderia não tinha sido paga. Como conseqüência disso, pessoas estão morrendo”.


Documento
Na tentativa de reverter o caos que se instalou na saúde pública, o Sinmed elaborou um documento com 10 páginas, onde relata as condições em que funcionam o HGE, a Unidade de Emergência do Agreste, os cinco Ambulatórios 24 Horas da Capital (Chã da Jaqueira, Tabuleiro, Benedito Bentes, Jacintinho e Levada) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). E comenta sobre o trabalho dos médicos nessas unidades de saúde.

Esse documento será entregue ao Ministério Público Federal em Alagoas (MPF/AL), Ministério Público Estadual (MPE), Ministério Público do Trabalho em Alagoas (MPT/AL), Tribunal de Justiça (TJ/AL), Defensoria Pública Estadual (DPE) e Secretaria de Estado da Defesa Social (SDS).

“Clamamos para que os órgãos competentes tomem alguma providência. No nosso entendimento, deveria haver uma intervenção na Saúde”,disse Wellington Galvão.


por Marcela Oliveira

www.primeiraedicao.com

 

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